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Cildo Meireles algum desenho (1963-2008)

 

(divulgação oficial do site do mon)

de 25 de março a 08 de junho de 2008

Esta é a maior exposição individual de desenhos de Cildo Meireles (1948), sob curadoria do crítico de arte Frederico Morais, a convite do artista. Em exibição estão 150 desenhos, desde os primeiros de 1963 até hoje, e alguns objetos e instalações relacionados à produção desenhística de Cildo. A mostra tem o patrocínio da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e o apoio do Ministério da Cultura, do Governo do Paraná, da Secretaria de Estado da Cultura e da Caixa Econômica Federal. O público poderá visitar a mostra entre 26 de março e 08 de junho.

Embora tenha conquistado prestígio e premiações, no circuito nacional e internacional de arte, pelas instalações e objetos, os desenhos estão presentes ao longo de toda a sua carreira. Em vários períodos, como a fase vivida em Brasília entre 1964 e 1968 e, depois, entre 1974 e 1980, é intensa a produção de desenhos. Cildo observa que alguns desenhos, espontâneos ou de preparação para trabalhos mais conceituais, são “absolutamente confessionais” e, muitos deles, “premonitórios” em relação à própria obra.

“Garimpo”

Em 1999, o artista iniciou o trabalho de localização de seus desenhos através de uma rede de referências, principalmente em coleções particulares concentradas no Rio, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Perto de 1,2 mil já foram catalogados e selecionados pelo curador para 800 exemplares, antes de chegar aos originais apresentados nesta exposição. Frederico Morais diz que a “castração” para editar uma quantidade viável a ser exibida foi pautada por proposições temáticas e formais.

A dificuldade de reunir desenhos de Cildo Meireles se deve ao fato dele ter vendido grande parte para colecionadores cariocas e paulistas. Até quase 1990, os desenhos lhe serviram como meio de sobrevivência e recurso para “financiar” obras mais caras e complexas. Ele compara a localização dessas obras ao trabalho de “garimpo”. O artista continua a pesquisa; pois pretende reunir os cerca de 4 mil que calcula ter produzido. O curador acredita que o desenho de Cildo passará a ser mais investigado, estudado. Para ele, a exposição dos desenhos, pelos principais espaços expositivos do País, instaura outro campo de estudo da obra do artista: dos desenhos e da relação destes com suas outras produções.

Desenhos e objetos

O curador incluiu na mostra produções tridimensionais do artista –instalações e objetos – que têm estreita relação com o desenho, como em “Casos de sacos”, e desenhos tridimensionais, de caráter escultórico, como em “La bruja”, instalação apresentada na Bienal Internacional de São de Paulo de 1981. A instalação é composta de uma vassoura, cujas cerdas de piaçava são substituídas por fios de algodão que se estendem infinitamente, às vezes ocupando vários andares do prédio em que é instalada. A mostra conta ainda com vitrines que abrigam cadernos de desenhos, desenhos fora de cadernos, projetos originais cotejados com fotos de instalações e desenhos feitos diretamente sobre livros, como em um de Rimbaud.

(Sugestão Box)

O desenho na trajetória de Cildo

Nascido no Rio de Janeiro em 1948, Cildo Meireles morou no Pará, em Roraima, Goiás, Brasília (1958-1967) e no Maranhão, acompanhado do pai indianista, funcionário do Serviço de Proteção aos Índios e integrante da equipe original de Marechal Rondon. Os primeiros desenhos foram vendidos pelo artista aos nove anos de idade, na escola primária, em Belém do Pará. No Natal de 1957 ganhou da mãe um kit de pintor, composto de telas, pincéis e óleo de linhaça.

Em Brasília, aos 15 anos, começou a freqüentar o ateliê livre da Fundação Cultural do Distrito Federal, onde praticava desenho de sólidos, naturezas-mortas e com modelo vivo, sob orientação do artista peruano Felix Alejandro Barrenechea. Nesse mesmo ano, em 1973, passou por Brasília uma exposição de arte africana de um acervo do Senegal, que influenciou profundamente o desenho de Cildo Meireles.

Ele conta que seus trabalhos que enfatizam bocas, olhos e dentes no rosto humano têm paralelo com a síntese que identificou na escultura africana. Para Cildo, “a boca escancarando a arcada dentária pode resumir o escárnio e a dor, a alegria e o medo, a autoridade policial e a vítima, o torturador e o torturado”, e assim sucessivamente.

Dois anos depois de ganhar o grande prêmio do Salão da Bússola (MAM –Rio ), em 1969, Cildo foi morar em Nova York, onde pouco desenhou. De 1969 a 1973, o artista abandonou o desenho espontâneo, sem intenções, dedicando-se a projetar objetos sobre papel, instalações e trabalhos mais conceituais. Nessa fase, logo depois da série de desenhos “Espaços Virtuais: Cantos” (1968), ele achava que “não era honesto desenhar, por ser um meio de expressão impulsivo e irracional”.

Desencantado com o circuito brasileiro de arte e com uma Nova York hesitante em relação à arte conceitual, o artista voltou seu interesse para o rock e o jazz. Até o dia em que visitou uma retrospectiva de Matisse no MoMA, quando ficou convencido de que não se poderia dizer que a pintura ou o desenho haviam morrido.

De volta ao Brasil em 1973, retomou o desenho e nunca mais parou. Ele continua desenhando e realiza o que chama de “diário visual”, apesar de ser em um ritmo menos intenso, devido às muitas viagens internacionais que passou a fazer a partir de 1990. Quando Cildo compara seu desenho de décadas atrás aos de hoje, observa que o que antes era “sofrimento, crônica social, política e catarse” dá lugar à “poesia”. Retrospectivamente, o artista diz constatar com alegria e, às vezes, surpresa que questões apresentadas em “não-desenhos” já apareciam nos desenhos. Um exemplo é a instalação “Homeless Home”, que apresentou na Bienal de Istambul (Turquia), em 2003, cuja origem está em um desenho de 1968.

Serviço Exposição:
Cildo Meireles algum desenho (1963-2008)
Abertura Convidados: 25 de março, às 19h
Período Exibição Público– 26 de março até 08 de junho de 2008
Patrocínio: Copel
Apoio: Ministério da Cultura, Governo do Paraná, Secretaria de Estado da Cultura e Caixa Econômica Federal
Onde: Museu Oscar Niemeyer
Endereço: Rua Marechal Hermes, 999
Centro Cívico – CEP: 80530-230
Telefone: (41) 3350-4400
Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h
Preços: R$ 4,00 adultos e R$ 2,00 estudantes
(Não pagam crianças de até 12 anos, maiores de 60 anos e grupos agendados de estudantes de escolas públicas, do ensino médio e fundamental)

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