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Interna Mutilação

A Casa João Turin abre nesta sexta-feira (09), às 18h30, a mostra “Interna Mutilação”, do artista plástico Júlio Manso. São 18 esculturas de animais, produzidas com cera de abelha e objetos cotidianos, como alicate e filtro de filme fotográfico. A exposição, com entrada franca, permanece até dia 9 de junho.

“Imagino que uma cadeira elétrica, em seu repouso peculiar, pode ser instável como a corcunda de um camelo. Apresenta e traz o desconforto de ir ao chão a qualquer momento”. Desta forma, ao estabelecer uma relação direta entre tortura a presos políticos e imagens de animais, Manso reflete, na exposição, as feridas e perdas internas decorrentes dos sistemas repressores. A mostra ficará aberta até o dia 9 de junho, com entrada franca.

O artista adianta que “Interna Mutilação” é uma exposição que fala da repressão, de abrir mão de família, viagens e conforto, para viver um sonho de liberdade. Manso faz referência a seu pai, que foi preso na Operação Morumbi, deflagrada pelo regime militar no Paraná, em 1975.

“Cada objeto fala de um momento da vida do meu pai. Teve um período em que ele vivia agarrado à grade da cela no presídio do Ahú, esperando a visita da família. Essa idéia de espera, pendurado na janela, ausente de sua liberdade me remete a um animal e, conseqüentemente, me leva a um objeto acoplado, mutilado”, explica Manso, que ficou cinco anos pensando e organizando esta exposição.

A escolha da cera de abelha como matéria-prima das esculturas também tem referência ao pai de Manso. “Eu manipulo esse tipo cera de abelha desde a infância, para criar meus bichinhos e economizar dinheiro. Meu pai foi meu professor, pois, além da militância política, era um grande artista das mãos”. Para moldar esse material é necessário trabalhar em altas temperaturas. “Dificilmente há como modelá-lo sem calor, e o ideal é o calor do sol. No forno, microondas, ou com lâmpada, não dá certo”.

Perdas - A palavra mutilação nos remete à perdas externas, como não ter uma perna ou braço. Porém, o que Julio Manso espera mostrar, a partir das esculturas, é que a tortura nos remete também a uma mutilação interna. “A seqüela da tortura é o mutilamento da humanidade, é violenta, pois alguma coisa deixa de existir no seu ser com a dúvida entre morte e vida, entre delatar amigos, inventar histórias e assiná-las”, diz.

A tortura, segundo o artista plástico, é apenas um elemento dentro da exposição. As caixas de acrílico que protegem as delicadas esculturas também são elementos escolhidos por ele. “A idéia é que essa caixa passe a ser parte da obra, pois ela mantém uma distância de respeito entre o público e o objeto”, finaliza.

Serviço: Mostra de esculturas em cera, de Júlio Manso
Abertura: sexta-feira, dia 9
Horário: 18h30
Local: Casa João Turin (R. Mateus Leme, 38 – Alto São Francisco).
Horário de visitação: de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas; sábados e domingos, das 10 às 16 horas. Tel: (41) 3223-1182.
Exposição permanece até o dia 9 de junho. Entrada franca.