Arte em Circulação

Fernando Rosembaum:
Memória social.

Alexandre Vogler
Alterar a paisagem. 250 artistas. 5000 cartazes engolidos pela cidade. A gente achou que isso pudesse produzir algum lapso. A disseminação. O contexto público. O contexto midiático. Tomada de ponto, o espaço concreto, metros de muro, um circuito ilegal comercial tolerado. A rede.






Giordani Maia
Negociar um espaço. Coloquei meu trabalho dentro da programação deles. Não é para vender. De quem é o trabalho? Eu sou um artista de rua. Ele é um artista de rua. Distensões, corpos, deslocamentos. Obra de arte. Não paga nada, é de graça. Só que não é para você comer. Essa relação horizontal, baixar o coeficiente de arte. É uma conserva, uma obra de arte, pronto. Ta tudo misturado, até o fracasso eu vejo como possibilidade. A cor vermelha. Demarcar um território, não pe mais a calçada. Work for food.





Guga Ferraz
Uma relação de afetos e afinidades. Uma discussão publica e rasa. Não uma discussão intelectual. A arte não precisa de você. A arte não precisa de ninguém. Nem de mim. Nem da gente. 5000 pessoas. Arte é beliche para moradores de rua. A coluna vertebral.





Couve Flor Corpo e Membros
O que é ser independente nesse contexto? Ou depende da mãe ou de uma instituição. Oito horas por dia. Neste natal faça uma boa ação: não deixe mais uma rtista virar professor. Você está num esforço de convencer a sociedade de que o seu trabalho é importante, será que é?







C. L. Salvaro, em ordem aleatória, sobre vassouras, garrafas, escritórios, ruínas e álbuns de figurinhas: “Pensei: E se a gente fizesse tal gesto? 24 dias. Um lugar fundado, passou a ser um lugar. Ela pendurou a garrafa na parede, era visível. Apareceu um dia o Sr. Prestes. Você traz seus quadros e a gente pendura. Sessenta e tantas páginas do que sobrou disso, e a gente cupria a função. Depois a gente percebeu aquilo como objeto, não espaço. Uma plantação de chuchus, deposi de uma ano o chuchu cresceu, ficou esse trambolho, a gente fez um postal. Uma centésima parte. “
Ducha, em ordem aleatória, ementa livre sobre o que aconteceu: “Se estiver difícil de ver, as pessoas podem passar as imagens na mão. Escalador que virou escritor. Tem gente que duvida um pouco, inclusive eu. Atleta, artista ou aventureiro. Alguams ações com interessem em ser arte não são aceitas e outras que não, sim, às vezes sim. Ele ficou famoso porque eentrou num barquinho de 13 pés e sumiu no mar. Ele não era maluco, era velejador. Rimbaud conheceu boa parte da Europa a pé, tanto que perdeu uma perna. Arte é algo que a gente não sabe o que é, até começar. made for you. espectator-specific. O Cristo é vermelho, mas a foto é preto e branco. O burrinho teve outra função: medir a distância. Não, eu não sou maluco. O vento, a vela, uma galeria, 6 pessoas, uma oficina de corda bamba, mas existiam mais dúvidas do que certezas. Uma maneira de documentar que não foto e vídeo - as pessoas acham que aquele foi o trabalho. Mercado de arte é uma coisa, circuito de arte é outra. A arte é um comentário poético para essa coisa maior que é a vida”.
Adriana Pinedo, una hoja de vida: “Encaixar no circuito como um capacete. Você não tem que fazer uma coisa, a residência é uma ponte entre o artista e a cidade. Essa interatividade se dá ou não. Conhecer o Rio em 12 messes já é muita coisa. Há uma relação mais direta entre o Brasil e a Europa do que do Brasil com a América Latina”.
Luis Adrade, palíndromos: “A inserçaõ da experiência no discurso da arte, uma experiência 2 vezes . O destino é a rua, esse espaço que não tem circunscrição. A contemplação, a visualidade, isso morreu. É preciso abordar outros sentidos, experimentar o espaço de outra maneira. Teatros, piscinas vazias. Uma música incidental. Incidente. Acidente. Essa fronteira.”
Fernando de la Rocque, uma caixinha de segredos: “O cara com o gatinho, quimera. que merda! O cartaz. Eu achei que aquilo poderia ser jogado fora, então resolvi guardar. Já que a gente não tem como mostrar, vocês podem usar a imaginação. Parede gentil, um lugar bem ou mal frequentado, musica ou barulho, só tem a acrescentar. O tempo passa a gente passa o tempo passa a gente.”
Enquanto isso, na Mesa Redonda da EMBAP:
Paulo Reis: “Que espaço é esse que eu não sei? Toda arte é urbana, a arte é um produto da cidade: o pátio, as casas, o adorno, as roupas, também fazem parte da cidade, cosntroem essa identidade. Na rua, imagem. Na galeria, procewdimento.
José Angelo Silva: “O que seria da poesia sem o concreto? O dia me pertence. A perda é uma das marcas da vida na cidade. Nos fechamos para não sucumbir ao convívio afetivo. Uma liberdade inimaginável fechados sob nós mesmos. Uma marca urbana. Imagens pequenas, cada uma tem um nome, feitas por quem caminha, para alguém que caminha. Essa imagem provoca certa emoção”.
Rubens Pileggi: “Essa carga entre um memória e uma história. Dentro do ‘belartismo’, o que eu faço é pintura. O espaço público existe. Antes era ocupado ferozmente, depois virou uma galeria de arte. A galeria do poste. A possibilidade de ocupação de um lugar que não está dentro. Uma instalação no meio da floresta, e aí? A moda agora é contratar grafiteiro pra pintar o quarto, até que isso se transforma em teses”.
Paulo Alma: “Pintar, uma propagação de si mesmo. Você existe. Os zines, a revista é uma disseminação dessa identidade no espaço. Ele vende baratinho pra que eu traga a identidade dele pra cá. Essa ocupação é minha. Você tem o esquecimento e o abandono, as pessoas deixam aquilo pra lá. A polícia só te qustiona quando você está num espaço que eles acham que é de alguém. Eu gosto que ninguém se incomode: deixa ele pintar, não está fazendo mal a ninguém.”
Zé Roberto: “Eu me chamo Zé Roberto, eu não faço intervenções. Cleverson e Dulcio, Mater o espaço limpo na contramão da manifestação. Estar próximo não aproxima nada. O indizível, assim, para todo mundo ver. Uma vagina. Além de ser arte está dentro de uma sociedade.”
Claudio Celestino: “Culturas libertárias. Jovens do centro, de classe média. A gente resolveu experimentar essa modalidade de expressão. Produções individuais que se aglomeravam, isso era a interlux. Mas há essa crise de percepção. Um girassol. Um grafismo. Porque um ser vivo passivo pode causar uma reação maior. A galeria subterrãnea, aquele lugar que é um não lugar. Suprimir as nossas identidades do traço usando a fotografia. As primeiras coisas que surgem nos espaços ociosos são os vícios. Aproximar pessoas. Registrar o registro. Quem estiver alí, o que vai sobrar? a gente não faz isso pra salvar o mundo, a gente faz isso pra salvar as nossas próprias vidas.”
* * *
A mostra “Arte em Circulação”, que a Galeria da Caixa inaugura no próximo dia 27 de maio, reúne artistas com práticas voltadas ao intervencionismo urbano, agenciamento de ações coletivas, e também com produções individuais que discutem a inscrição do espaço público no campo da reflexão estética.No lugar da exibição de obras de arte, a exposição “Arte em Circulação” volta suas ações para o estreitamento da comunicação direta entre as pessoas que se interessam por arte contemporânea, e os artistas convidados de diversas regiões do Brasil. Ou seja, público e artistas poderão estar em contato ao longo do evento. Isso se dará em um programa diário de “falas” na Galeria da Caixa.
Além disso, durante o período da mostra, haverá a realização de duas mesas de debates e um espaço de convivência e pesquisa à disposição do público participante. Estarão ali reunidos materiais bibliográficos (impressos e audiovisuais) selecionados pessoalmente por cada um dos artistas em seus
respectivos acervos.
Já na abertura, o artista Sebastião Souza, que é coordenador do projeto Vale da Vida, vai falar sobre a experiência de reflorestamento de uma área devastada na região de Cornélio Procópio como uma proposta de Land Art.
Acervo disponível para o público
Desta forma, no período da exposição, será montada uma pequena biblioteca e um acervo ilustrativo de vídeos, que estarão disponíveis para serem consultados no local por qualquer pessoa interessada. Eles reúnem uma bibliografia mínima da produção artística da última década dos artistas convidados e, conseqüentemente, de parcela substancial da arte brasileira no período, constituindo-se numa iniciativa inédita no país.
A reunião desse material, selecionado diretamente pelos artistas, é duplamente positiva. Além de dar subsídios e sustentação contextual para os diálogos e convergências entre os artistas da mostra, também é da maior relevância para o público especializado, estudantes de arte, colecionadores, professores de arte, ou qualquer outro interessado no tema.
Diálogo inédito
O ineditismo desta mostra, segundo a curadora Margit Leisner, não está apenas no formato da exposição, nem no atendimento a uma demanda crescente da comunidade por produtos culturais. “Ele se encontra na perspectiva de diálogo e convergência entre os artistas convidados, algo que tem se consolidado nos últimos meses, desde a aprovação do projeto pela Galeria da Caixa”, ressalta a curadora.
Os artistas da mostra “Arte em Circulação” atuam principalmente em Curitiba e no Rio de Janeiro. Eles trabalham isoladamente ou integrados em coletivos artísticos, mas também têm atuação como professores e orientadores acadêmicos, e até mesmo como editores de revistas sobre arte. Muitos deles representaram, na última década, a produção artística brasileira contemporânea em outros países participando de bienais de arte e eventos análogos.
Artistas participantes
Ducha (RJ)
Rubens Pileggi (Londrina)
C.L. Salvaro (Curitiba)
Pipoca Rosa (CWB)
Sebastião Souza (Cornélio Procópio)
Jarbas Lopes (RJ)
Luiz Andrade (RJ)
Laura Lima (RJ)
Giordani Maia (RJ)
Alexandre Vogler (RJ)
Coletivo Couve-flor (Curitiba)
Coletivo E/OU (Curitiba)
Orquestra Organismo (Curitiba)
InterluxArteLivre (Curitiba)

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