Josef Albers no MON

Em viagens pelo Peru, Chile, Cuba e, especialmente, pelo México, por quatorze vezes, o casal alemão Anni (1899-1994) e Josef Albers (1888-1976) apaixonou-se pela história e a arte popular latina. Entre 1934 e 1967, os sítios arqueológicos, a arquitetura, os costumes, as cores e as tramas da tradição têxtil andina serviram-lhes de inspiração para uma produção moderna pioneira. Desenhista idealista, escritora e tecelã, Anni expressou o conhecimento acumulado em desenhos, aquarelas, estampas têxteis, jóias e textos exemplares sobre o que via, pesquisava e aprendia.
Josef imprimiu, principalmente, na pintura e no desenho sua intensa experiência no estudo de planos e cores. De suas dezenas de fotografias produziu fotocolagens de locais que muito lhe impressionaram, como o Monte Albán e a pirâmide de Tenayuca com suas serpentes de pedra, no México. “Artisticamente, as fotocolagens se tornaram tanto um catálogo de sítios, quanto uma seqüência de estruturas geométricas como templos, praças públicas, quadras de jogo e pirâmides que Albers iria por fim utilizar como fonte para sua pintura, suas gravuras e seus desenhos. (…) As fotocolagens funcionavam como um caderno de esboços ou livro de referência para muitos dos motivos geométricos que ele começou a explorar na pintura, tais como Tenayuca e mais tarde na série de pinturas Homenagem ao Quadrado”, analisa a diretora em História da Arte na Rocky Mountain College of Art and Design, Kiki Gilderhus. A forma quadrada lhe absorveu grande parte de sua atenção.
Durante as incursões, em curtas ou longas temporadas pelo interior dos países, Anni e Josef descobriram um tesouro que mais os estimulou: as miniaturas mexicanas pré-colombianas, produzidas por culturas existentes antes da descoberta da América por Cristóvão Colombo, em 1492. Com elas formaram uma coleção de valor inestimável, afetivo e histórico. “O acervo todo pode ser segurado em duas mãos e o seu peso equivale a menos de três quilos (…) À medida que examinávamos os fragmentos dos objetos de cerâmica, que incluíam cabeças sutilmente concebidas e, infelizmente, estatuetas normalmente quebradas, nós não podíamos acreditar que em nossas mãos estavam peças pré-colombianas centenárias encontradas por camponeses (…) Na época de nossas primeiras visitas, a arte pré-colombiana ainda não havia sido aceita como arte e sentíamos a emoção da descoberta”, registra Anni em 1969.
Com farta documentação sobre essa trajetória artística, são essas raridades e o talento desses dois artistas que o Museu Oscar Niemeyer apresenta em Viagens pela América Latina. Curitiba é a primeira cidade brasileira a receber esta importante coleção. Acervo que através da arte de Anni e Josef nos conduz a uma fascinante “viagem” pelo interior da história da América Latina e do México.
Comentários:
Em 28/05, Deborah Bruel: Ele foi também professor da Bauhaus e um importante pesquisador da teoria das cores, estudo que resulta nos inúmeros quadros da série
Homenagem ao quadrado.
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