008 - Enquete: o que é arte?
Afinal, arte existe? e se existe, está onde? no objeto, no artista ou no observador? e serve pra quê? Bom, dizem mesmo que devemos tomar cuidado com o que pedimos ao mundo, porque às vezes ele resolve nos atender… Abaixo, algumas respostas que encontramos:
Em 20/07/2008, Luigi De Franceschi:
A arte esta nos olhos de quem vê.
David Lynch uma vez falou que as idéias não são criadas, elas existem e estão ai pairando no mundo. Uma pessoa com sensibilidade as capta e as transforma em algo que os outros vão sentir, ver e experimentar. Essas idéias são vistas e interpretadas pelas pessoas e cada um as classifica de um jeito. Para um arquiteto, o MON é arte, para um fachineiro é só mais um prédio “maluco”. Resumindo: tudo depende de quem vê e da sensibilidade
dessa pessoa. Esse é o grande “barato” da arte.
Francisco Soares , em 13/06/2008:
a problemática não é se a arte existe…
problema…
pró-emblema
pró-arte
pródigo, digo:
PARA QUE SERVE A ARTE:
1-para nos iludir.
2-
3-
4-
6-
…
Charly, em 13/06/2008:
Talvez para nos aliviar, nos tirar do aqui e agora por um breve momento.
Sergio Moura, em 11/06/2008: Uuma questão intrigante, provocativa, e acima de tudo atiçadora. Não q seja uma indagação consistente, afinal, perguntar hoje se ARTE EXISTE?, depois de tanto q aconteceu e está aí para todos verem…é, no mínimo, uma indagação duvidosa e pouco séria. Posso até aceitar q não se respeite a produção de 400 séculos de atividade criativa, sim, bastando lembrar do princípio logosófico q diz que: ” tudo o que o homem ignora, não existe para ele; logo, o tamanho da criação se resume ao que ele conhece”.
Arte é isso; arte é aquilo; arte é tudo; arte é nada; arte é o amor visível, disse Gibran; antes arte do que tarde, disse Benê Fonteles; tudo é arte e nada é arte, falou Duchamp; enfim, o que é arte? É a estrela que tu vê e eu não vejo!
Eu sei o que a Arte é e onde está, entretanto, como não sou o dono da verdade, deixo a questão para o PAE2008, responder. A “resposta” q não quero deixar de dar, já que eu nunca fico em cima do muro e sempre assumo minha posição e expresso meus pensamentos, crenças, idéias e ideais…, é que: será que podemos imaginar um mundo sem a pintura, o desenho, a arquitetura, a gravura, a dança, o cinema, a fotografia, a escultura, a música, o teatro, enfim sem a imaginação que desenvolve o processo criativo que sustenta a Arte, alimenta o espírito inquieto do ser humano sensível e também dá curso ao desenvolvimento da civilização?
Helena, em 11/06/2008:
sim, arte existe.
e é tudo aquilo que causa uma sensação em nossos espíritos, seja essa boa ou ruim. E não importa se ela está na galeria, na rua, na web, num cartaz…
podem dizer que design não é arte pq tem uma finalidade (isso totalmente aceitável, não sou nenhuma subversiva maluca), mas existe obra mais nobre do que aquela que comove a alma do público e o faz se identificar com ela?
aqui temos um “bordão” rolando: “arte é melhor”. Concordo, mas eu tenho o meu próprio:
“Arte no dos outros é refresco!”
hieaheihaeih
Carla Teodorovicz Assis, em 11/06/2008:
Acredito que o artista é espírito inquieto que faz arte como forma de “aquietar” a alma. Os homens das cavernas deixaram as primeiras marcas deste espírito inquieto. Nós (os artistas) não conseguimos apenas verbalizar estas inquietudes, nós precisamos MATERIALIZA-LAS, às vezes fica uma arte feia, às vezes bonita, não interessa, o que realmente vale aqui é a concretização deste pensamento.
Portanto, ARTE EXISTE SIM e não tem nem cabimento fazer uma pergunta desta.
Helena, o design é tudo de bom!!!!
Nicole Lima, em 03/06/2008:
“Sobre o que é arte, para mim é esse ato de traduzir epifanias e causar afetos. Eu não me basto e não existo só para mim mesma. Acredito até que a arte que eu faço nem sai de mim, são pensamentos que percebo flutuando no ar, e aí eu tento agarrar com as unhas e colar nas paredes. A arte não está em mim, nem no objeto, nem em quem o vê. Mas ela precisa das três coisas para existir. Ela é essa comunhão. Eu não sei bem o que me faz capaz de sentir e pensar certas coisas, mas sei que não é muito comum, porque quase sempre me acham meio esquisita. Enfim, faço porque preciso fazer, porque não veria outro sentido em continuar a existir. Se gostasse de medicina, odontologia, ou tivesse mais fé, acho que não faria, porque quase sempre dói. Mas faço, porque é o que me deixa mais feliz.
Sobre para que a arte serve, eu acho que ela serve pra dizer a verdade. Não as nossas, a verdade pura, essa que se forma nesse espaço entre eu e as coisas e você. Todo o resto é mentira e se desfaz. A arte não se desfaz.”
Deborah Bruel, em 02/06/2008:
“Creio que esta pergunta não tem resposta. No entanto, a tentativa de encontrá-la é o que a faz, pois propõe discussões que vão formar uma rede ou emaranhado de questões pertinentes, coerentes, e também polêmicas ou confusas.Já que encontrar uma resposta única e fixa é tentar reduzir sua significância à temporalidade e imutabilidade, sendo que acredito que tudo aquilo que denominamos arte, o é justamente por escapar à codificações estanques, é arte por ser atemporal, anacrônico, por propor desvios ao pensamento e às percepções.
Mas, por outro lado as obras artísticas, sejam elas, de música de cinema, de artes visuais, etc…, são produzidas por processos específicos às suas linguagens, e estas é que nos permitem a sua percepção, fruição ou “leitura”, como preferem alguns. E estes processos são frutos do conhecimento que o artista engendra, estes são “cosa mentale”, refletem as escolhas do artista, que podem estar num objeto, numa ação ou relação que proponha ao observado/espectador.
Por ora vou parar por aqui, mas a discussão apenas começa….”
Eduardo Baggio, em 27/05/2008:
“arte é a percepção que cada um tem de algo que o faz transcender, “que o pega de
calças curtas”, que o faz pensar algo que nunca tinha pensado. e isso pode estar no
museu ou no domingão do faustão, não importa. pode ser intencional ou ter sido feito
por um cachorro na rua.”
Murilo, em 26/05/2008:
já me questionei diversas vezes sobre a utilidade da arte, e participei de uma semana de debates sobre esse tema “para que serve a arte?”. Lembro que um dos palestrantes, Décio
Pignatari se não me falha a memória, foi infusivo dizendo que a arte não serve ABSOLUTAMENTE para nada! A arte não torna as pessoas melhores nem piores, nem mais sociáveis ou menos sociáveis. A arte não faz aprender nem desaprender e não desempenha nenhuma função prática. Mas terminou dizendo que alguma coisa misteriosa o faz crer na arte. Sem prova alguma e crendo assim como um cristão crê em deus. Esse comentário assombra meus pensamentos ainda hoje. Será que o que estou tentando fazer durante a minha vida é pura crendice inútil?
Sobre onde está a arte (no objeto, no artista ou no observador) penso que nos três. A arte depende dessas três variantes. Mas acredito que maior parte desse todo está no artista.
Abaixo está um texto que escrevi a mais de 2 anos e meio atrás para um blog. Algumas coisas eu mudaria, mas é o meu ponto de vista quando era 2 anos menos experiente.
Afinal, o que é arte? (Texto do BLOG.)
Num museu de arte contemporânea, um senhor observa, por vários minutos, uma obra que se encontra pendurada na parede. O curador aproxima-se e pergunta:
- O senhor está precisando de algum auxílio?
- Não,obrigado. Estou apenas observando essa obra.
-Qual obra senhor?
- Essa vermelha. O que será que o artista pensava quando decidiu expor esse extintor? Será que ele queria exteriorizar seus sentimentos repreendidos, desejando que algum observador apertasse o gatilho e o libertasse dessa pressão?
- Desculpe senhor, mas esse extintor não faz parte do acervo. Ele encontra-se aí apenas por medidas de segurança.
Uma estória tola como essa serve, pelo menos, para trazer à tona um questionamento: o que faz algo ser uma obra de arte?
Na antiguidade, a arte era dividida em duas grandes vertentes: a servil e a liberal. Na vertente servil encontravam-se as obras que necessitavam, indistintamente, do uso das mãos. E nas artes liberais, nos deparamos com a gramática, à dialética e a retórica. A categoria de obras servis sofria grande discriminação, pois era a arte praticada pelos pobres artesãos. E na época, a arte era sinônima de nobreza. Porém, com o passar do tempo, esse
preconceito caiu por terra com a argumentação de que “a operação manual sempre precede a operação mental”.
Há quem siga a Teoria Essencialista que defende a existência de uma essência na arte, ou seja, existem propriedades essenciais comuns a todas as obras de arte e que só nelas se encontram. Mas, talvez, o único pensamento que possa sustentar, em parte, essa teoria, seja o de Leonardo da Vinci, que diz: “L’arte é cosa mentale!”. Não se pode negar que toda obra de arte é executada pelo viés de “uma coisa mental”. Mas, “essa coisa mental” não é exclusividade da arte.
Sob um outro ponto de vista, podemos deixar as obras de lado e analisar os artistas. Ou seja, deixamos o questionamento “o que é arte?” e nos voltamos para: “quem é o artista?”. Talvez, dessa maneira, seja menos penoso encontrar uma definição para arte. Analisando as intenções que a pessoa teve ao compor determinada obra e o objeto histórico e cultural, conseguimos definir com mais precisão o que é arte e o que não é. Distinguir um rabisco
de criança e uma pintura abstrata, num primeiro momento, não parece ser uma tarefa muito fácil. Num caso como esse, fica mais fácil se analisarmos quem foi o autor da obra, ou do rabisco. Nessa análise o artista é quem dá a obra título de arte, e não a obra por si só.
Outra análise pode ser feita sob a luz da observação da reação dos receptores diante de uma obra. Investigar o que este sentiu ao ver a obra: angústia, prazer, conforto ou se ela foi indiferente aos sentidos. Assim, o conceito de arte torna-se altamente relativo, variando de acordo com o repertório e a bagagem cultural de cada receptor. Mas, se você fizer a
seguinte reflexão “o que faz de algo uma obra de arte?”, a resposta vai custar a aparecer.
Então, o jeito é simplificar e deixar todas essas teorias e regras para trás e montar seu próprio padrão estético. Não tenha medo, deixem os outros fazerem o serviço braçal e torne-se o artista.
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