Anatol Wladyslaw no MAC
Transitar entre as esferas do desenho e da pintura do artista plástico polonês Anatol Wladyslaw (1913-2004) e refletir sobre as diferentes fases da abstração desenvolvida por ele. Essa é a proposta da exposição Anatol Wladyslaw que abre nesta quinta-feira, 26, às 18h30 no Museu de Arte Contemporânea.
Na ocasião serão apresentadas 41 obras - divididas entre trabalhos de Wladyslaw e outros abstracionistas brasileiros. As telas e desenhos em papel apresentados nesta mostra foram doados ao acervo do MAC, em 2006, pela viúva do artista e restauradas recentemente pelo Laboratório de Papel. A exposição tem entrada franca e permanece até o dia 21 de setembro. Segundo a curadora da mostra, Ana Paula França, a idéia é estabelecer um diálogo entre as obras de Wladyslaw e aquelas peças que já compõem o acervo do MAC. A relação dos trabalhos do polonês, naturalizado brasileiro, é unida a trabalhos de artistas como: Yolanda Mohalyi, Fayga Ostrower, Helena Wong e Fernando Velloso, entre outros.
A curadora - mestre em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - diz que a reunião não é por acaso, pois estes artistas, assim como Wladyslaw, demonstraram motivações criativas diferentes dos concretistas, ou seja, abandonaram a figura. Porém, por razões menos dogmáticas. “Wladyslaw foi um integrante do Grupo Ruptura de 1952, importante marco da história da arte moderna no Brasil. Eles pregavam a arte concreta, a arte abstrata realizada a partir de pressupostos racionais”, afirma Ana Paula.
O polonês, junto com os artistas Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros, Lothar Charoux, Kazmer Féjer, Leopoldo Haar e Luís Sacilloto abandonou a representação da realidade em suas obras, pois a arte representativa não respondia às novas questões do mundo industrial. A curadora diz que Wladyslaw não conseguiu levar esta proposta de maneira consistente. “Seus trabalhos sempre possuíram elementos emotivos. Após 1954, ele empreendeu, criticamente, uma abstração mais solta, de formas orgânicas, de texturas marcantes. Esse tipo de abstracionismo atende por vários nomes como informal, tachismo, expressionismo abstrato”, esclarece Ana Paula. Pelo valor simbólico e histórico das obras de Anatol Wladyslaw, o Museu de Arte Contemporânea oferece mais em acervo e importância cultural. “Essa abstração antagônica foi muito significativa para a constituição da arte moderna no Brasil, especialmente em se tratando da produção realizada fora do eixo Rio-São Paulo, apesar das pesquisas e retrospectivas do período geralmente não a concederem o devido peso”, finaliza.
Serviço: Obras restauradas em papel de Anatol Wladyslaw. Quinta-feira, 26, às 18h30 no Museu de Arte Contemporânea (R. Desembargador Westphalen, 16). A exposição permanece até 21 de setembro. Horário de visitação: De terça a sexta-feira, das 10h às 19h e aos sábados e domingos das 10h às 16h. Entrada franca. Informações: (41) 3222-5172