Luana Navarro: “Magnum 60 anos” em Curitiba, e daí ???

Interessa aquilo que faz pensar.
O que ainda me toca?
Me pergunto, qual o sentido de ter uma exposição com imagens da Magnum em Curitiba?
Não sei a resposta para esta pergunta, poderia repensar sobre o sentido de várias outras coisas, como qual o sentido de ainda se fazer fotografia?

A exposição da Magnum me incomoda por trazer imagens descontextualizadas, pois eu experimento na maioria delas primeiramente a belaza da imagem.
As fotografias inicialmente me provocam uma sensação, repúdio, espanto, aversão, contemplação, mas não acredito que essas imagens, as da exposição, me levem ao nível da reflexão.

“Experimentar algo como belo significa: experimentá-lo de forma necessariamente equivocada”.
(Nietzsche)

Quando a exposição é dívida em “capítulos”, acredito que o documentarismo contemporâneo tem início com as imagens de Martin Paar. No entanto, conforme a montagem da exposição, o conceito de contemporâneo me parece ser utilizado como se as imagens contemporâneas fossem aquelas que pelo tempo cronológico se aproximam do momento no qual vivemos hoje, equívoco primário.
Não é o que é feito hoje, mas quais os temas interessam ser discutidos hoje e como estes temas podem ser discutidos hoje. Depois de 60 anos, como e o quê a Magnum discute com os seus trabalhos?

Como nos relacionamos com imagens fotográficas em uma sala branca, dispostas uma a uma e com iluminação apropriada ? Isto me motiva a me relacionar com elas? Definitivamente, não. Eu não vou deixar de dormir hoje porque vi a imagem de uma mulher deformada em consequência da guerra do Vietnã.

A fotografia de Alex Weeb da fronteira dos EUA com o México, é maravilhosa, é romântica me fala de um sonho que se esvai, mas a forma bela como as pessoas a admiram me irrita, porque elas parecem não transpassar a fronteira do belo, como se não tivesse diferença ver uma imagem como a de Alex Weeb e uma imagem de uma publicidade qualquer!
Não acredito que Alex Weeb percorreu a fronteira dos EUA com o México apenas para mostrar uma imagem bela, mas a maneira como ela é disposta facilita este tipo de leitura, aí eu vejo um desperdício com o trabalho.

Acredito em uma fotografia que me faça refletir em outros níveis. A exposição da Magnum ao menos me motivou a repensar como nos relacionamos com imagens, e com que tipo de imagens ainda conseguimos nos relacionar de uma forma menos contemplativa e mais reflexiva.
As fotografias em preto e branco não estão lá apenas porque o curador da exposição é corintiano, e me parece que a imagem da menina afegã só foi incluída na exposição porque é uma imagem mito, e um mito que já vendeu muito.

Eu ainda acredito no trabalho dos fotógrafos da Magnum, eu só não acredito no que outras pessoas fazem com ele. Bem faz a família do Eugene Smith em não deixar seu material ficar rodando por aí em uma exposição reducionista.

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