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Tarsilofagia - Nicole Lima

antropofagia.jpg

Semana passada Luana Navarro Comentou: Magnum, 60 anos, e daí? Mais tarde, conversando com a própria Luana e outros amigos, chegamos à conclusão de que não se tratava de uma crítica àquela exposição em particular, mas a um modelo de curadoria, no qual uma serie de imagens consagradas são dispostas lado a lado sem uma questão, ou mesmo um viés que inspire um diálogo. E aí voltamos para casa (in?) satisfeitos por ter reencontrado as imagens que já conhecíamos.

Mas a pergunta persiste: e daí? Essa pergunta me ocorreu novamente quando fui “ver a Tarsila” no MON, domingo passado. A proposta de “um percurso afetivo” muito pouco parece afetar os espectadores que transitam inalterados pelas obras, parando apenas para ver o quadro “antropofagia” e “a negra”, ícones da obra da artista e, não coincidentemente: ambos no catálogo da exposição. Aceito o argumento de que “ver ao vivo é outra coisa”, mas o que retemos de todas as outras obras que estão lá, também ao vivo (ou aos mortos)? Talvez seja da natureza humana, como ir ao Louvre para ver a Monalisa ou ir ao teatro da unicenp para (não) ver Juliana Paes.

Ainda prefiro acreditar que as verdadeiras exposições, aquelas que se propõe a mais do que nos recontar verbetes enciclopédicos (hoje wikipédicos), essas sim, nos tomam de assalto. Às vezes são singelos e agradáveis sustos, como quando me deparei com essa janela, que nem faz parte das exposições que estão no solar:
rosembaum-e-cleverson.jpg

(parede externa do solar do barão, feita por fernando rosenbaum e cleverson salvaro, talvez para ser descoberta por quem parar para olhar pela janela)

Dizia o manifesto: “O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. Só a Antropofagia nos une. Tupi, or not tupi that is the question.” Será?

comentários:


Deborah Bruel, em 27/07/2008: também fui “ver a Tarsila” no outro domingo e acho que sua questão aponta para duas coisas, uma é o quanto os “espectadores que transitam inalterados pelas obras” são afetados, ou melhor estão interessados naquilo que está ali, e a outra que se desdobra disso é como a proposta de “um percurso afetivo” da exposição desperta o interesse desse espectador. Bem, daqueles que vão lá apenas para se deparar por alguns segundos em frente a”antropofagia e a negra”, e seguem seu passeio como se estivessem no shopping, só tenho a dizer que ao menos o museu entrou na lista de opções de passeios dominicais do curitibano, ainda bem!

Agora quanto à proposta, confesso que”pelo amor de deus” será que o MON não tem uma equipe decente de montagem? O que é aquela luz? uma vergonha! Não foram poucas vezes que vi pessoas fazerem como eu: olhar para a obra e imediatamente olhar para a luz dirigida à ela, já que fazia uma”faixa amarela logo abaixo da pintura”, ou quando havia uma sombra enorme sobre a pintura, ou ainda quando uma obra recebia uma luz muito mais forte que a do lado, talvez uma vontade de hierarquização da qualidade dos trabalhos pela curadoria?!

Sem falar da disposição das paredes em angulo oblíquo, que obrigam aos observadores amontoarem-se nos cantos para ver alguns trabalhos. Bem, confesso que fui embora muito aborrecida com a falta de bom senso, não que eu ache que o espaço expositivo tenha que ser proposto aos moldes do “cubo branco”, mas o problema é quando este mesmo espaço se propõe como um parque temático de mau gosto e interfere negativamente. Só consigo lembrar daquele amarelinho azedo! e fiquei com muita vontade de encontrar com a Tarsila em outro lugar.

Mariana, em 01/08/2008: bem, o espectador ser tocado ou não pela montagem não me parece o problema em si. mas, sim, o fato do sujeito ir à exposição como vai ao shopping. independente do viés ou recorte proposto pela curadoria, cada um deve buscar por si o diálogo com o que está ali pendurado nas paredes. não esperar que um catálogo ou panfleto dite o que deve achar desta ou daquela fase do artista em questão. na exposição é possível enxergar um caos proposital, algo que combina com a artista, sempre livre de classificações

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