Saudade em Terras D’água
Semana de águas (as que caem do céu e as que pulam das calçadas pra dentro do sapato). Ontem, entre a terceira chuva e a décima calçada, vi Saudade em Terras D’água, da companhia francesa Dos a Deux : erapra ser uma dessas coisas que a gente vê porque um amigo convidou e disse que era bom, aí vamos lá, esperando poder depois responder à pergunta: Gostou? Gostei. Mas dessa vez perdi a fala: de tão bonito, chorei e ri desavergonhadamente na terceira fila, sem me dar conta de que perdia o chão junto com o mar, desaparecendo pelo canto esquerdo do palco à medida que as luzes azuis do teto se apagavam, até só sobrar uma, e depois nenhuma. Emudeci como o espetáculo que não tem palavras de falar com a boca, mas tem história de ver com os olhos (d’água). A peça quase não tem sons, é feita de luz e movimentos sutis, comunhão de 3 corpos e alguns objetos que se encaixam em perfeita sincronia, enquanto uma alma de lá conversa com outra do lado de cá, e então estamos de acordo.

(foto de divulgação do site oficial da companhia dos-a-deux)