
A nova geração empreendedora
Bia Moraes, colunista da Folha de Londrina
‘Antes as pessoas se mudavam para SP atrás de opções diferentes’
A cidade abriga uma grande, e cada vez mais visível, geração de empreendedores emergentes, que ajudam a desenhar o perfil de uma nova Curitiba. Eles constroem uma metrópole com mais diversidade, que oferece opções diferentes de consumo, lazer e gastronomia. Todos têm pontos em comum. Apostaram na novidade e seguem acreditando que há espaço, e público, para as iniciativas.
Um bom exemplo desse perfil de novo empreendedor é a arquiteta paulista Débora Mello, que mora em Curitiba há dez anos. Ela é idealizadora e diretora do Bazar Lúdica, que acontece duas vezes por ano na Casa Vermelha, em pleno Largo da Ordem. A primeira edição do bazar foi em novembro de 2007. Desde então, o evento não parou de crescer. Débora já prepara o bazar de junho próximo e conta que assistiu exatamente a esse processo de renovação da cidade nessa última década. “Antes as pessoas se mudavam para São Paulo atrás de opções diferentes. Agora não é mais preciso”, observa.

O Bazar Lúdica reúne uma porção de artistas, designers, estilistas, artesãos e comerciantes que mostram produtos com identidade única. Tudo é feito aqui. Débora conta que o evento deu tão certo que acabou por impulsionar toda uma geração de empreendedores, que já produzem especialmente visando o Bazar.
Em termos de juventude e novas ideias, os meninos do Banzai Studio estão com tudo. São quatro garotos com idades entre 18 e 22 anos. Thales Alves Quadros estuda publicidade; Fernando Nogari é formado em design; Rimon Guimarães fez cursos de artes e Luan Quadros está estudando cinema na Espanha. A turma começou cedo, ainda adolescentes, produzindo filmes caseiros. Fizeram sucesso e começaram a ser convidados a fazer vídeos profissionais. Atendem clientes de porte, como o Festival de Curitiba. Entre serviços de design, criação de logomarcas, produção e direção de filmes e outras artes, seguem acreditando no potencial – e já procuram um local para sediar o estúdio em parceria com outro coletivo de artistas de Curitiba. “Por enquanto estamos funcionando na minha casa”, conta Thales.

A chef de cozinha Geraldine Miraglia largou a profissão de fonoaudióloga para apostar na gastronomia. Formou-se pelo Centro Europeu e logo abriu seu empório Oli, em 2003. Dois anos depois, o local já havia se transformado em restaurante. Ela também acreditou na inovação. Montou seu bistrô no bairro São Francisco, em um lugar calmo, perto de uma pracinha e fora de agitos. “Todo mundo que vem aqui adora. O jeito bucólico do lugar faz parte da curtição da gastronomia”, explica.

A chef Geraldine
O cineasta Luciano Coelho voltou de seus estudos em Cuba com a idéia de montar um núcleo que desse visibilidade a uma “Curitiba que não se vê”. Conseguiu. Após seis anos, seu projeto Olho Vivo, que ocupa uma casa antiga no bairro Rebouças, contabiliza uma série de documentários realizados, mostrando realidades paralelas, que hoje servem de referência para estudos em escolas, universidades e ONG’s. “Fizemos documentários sobre a umbanda em Curitiba, o jazz, a periferia, os transexuais, as prostitutas, o terminal Guadalupe, enfim, uma série de temas para os quais as lentes não se voltavam”, comenta.

Luciano Coelho e Marcelo Munhoz: cinema
Hoje, em parceria com Marcelo Munhoz, Luciano leva adiante os cursos e oficinas de cinema, edição, vídeo e interpretação. “Depois de tantos documentários, estamos nos voltando para a produção de ficções”.




















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