resposta à enquete: o lugar da crítica de arte

Recebi hoje um email do Rodrigo Lourenço, de Porto Alegre que dizia assim:

“Ontem foi o debate sobre as artes visuais… Gostaria somente de destacar agora algo que me pareceu unânime entre os palestrantes é que o jornal periódico não é o lugar da crítica de arte. Um lugar melhor seria a revista especializada (com um texto mais digerível), mas o reduto certo para a reflexão proposta pelo crítico é a academia. O motivo para essa segregação é a inexistência de um público interessado em arte que não seja do tipo espetacular.”

qual é o lugar da crítica de arte?

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Comentários:

A propósito, para mim o “lugar da crítica de arte” é qualquer um, mas também penso que a arte (seja ela qual for) não merece a crítica rasa e sem consistência, com evidentes fins comerciais de aceitação ou de entrave a determinados trabalhos artíticos, como se os críticos fossem os “porteiros” que abrem ou que fecham a passagem das obras ao público.

Creio, sinceramente, que as relações entre obra e público inteligentes não precisam da mediação da crítica. Não que a crítica não tenha que existir… Ao contrário… A crítica deveria ocupar um lugar de pensamento, e isto não se dá necessariamente nos meios acadêmicos ou midiáticos, de comunicação, mas sim na vida como um todo, no próprio fazer artístico como experiência singular, imprevisível, etc. Gostar ou não gostar de uma obra já é outra conversa…

No meu ponto de vista, a crítica geralmente constrói o seu olhar em torno de questões técnicas. E o público não está interessado nestas questões e sim na potencialidade da obra para produzir sensações que lhe reportem à vida, que lhe recoloquem de outros modos na própria vida. Sei lá… Para mim a arte é mesmo uma questão existêncial.  A técnica vem depois.

Fabrício Silva.

Fabrício Silva é  filósofo, com mestrado em educação. Sua dissertação é um ensaio sobre os territórios de abertura, de encontro, entre diferentes campos do conhecimento, como a literatura e a filosofia, a ciência, e também uma reflexão sobre minha experiência de escrita do texto e produção do espetáculo “As estações na cidade: exercício teatral em 4 movimentos”, do ponto de vista da potência que tem a arte para produzir outros modos de subjetivação que contribuam para a criação de outros olhares na contemporaneidade.