
noticias da bienal Vento Sul
Conhecido até agora como VentoSul, o evento de artes visuais latino-americanas criado pelo Instituto Paranaense de Arte (IPAR), se assume como Bienal em sua quinta edição, maior e mais forte, programada para o segundo semestre. Passada a fase crítica de se firmar, mostra ganho de confiança, como bem avalia seu coordenador, Luis Ernesto Pereira. Mas não sem que fosse cogitado inclusive seu adiamento. Só que, de repente, os sim esperados começaram a chegar. “Quando se supera as dificuldades iniciais o caminho segue naturalmente, com credibilidade”, pontua. O tema trabalhado pelos 60 artistas convidados de 29 países distribuídos pelos cinco continentes é “Água Gande: Os Mapas Alterados”. O IPAR tem a parceria da Universidade Federal do Paraná e Fundação Cultural na empreitada, que conta ainda com apoio do Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura. E de todos os países de origem dos artistas. A 5ª Bienal VentoSul faz parte das comemorações do Bicentenário Nacional da Independência do Paraguai e do Ano da França no Brasil.
É um pulo considerável de 7 países participantes, na edição anterior, para 29. E em um momento de questionamentos em torno do formato e de crise da mais importante entre as brasileiras, a Bienal de São Paulo. “Curitiba se posiciona no contexto mundial com uma proposta nova. Tivemos crédito”, avalia Ernesto. Para ele, o segredo é não assumir compromissos que não possam ser honrados.
A vinda de gente dos cinco continentes só é possível, assegura, pela parceria com os países, que custearão as vindas de seus artistas. “Chegamos a pensar em protelar para 2010”, segue. Isso porque a crise gerou indefinição e atrasos. “De repente as confirmações vieram , mesmo que abaixo do solicitado”, diz, preferindo não falar agora em valores. “Só assumimos o formato Bienal agora por estarmos mais certos de poder manter. E não se trata de uma Bienal como a de Veneza, na qual os países bancam seus artistas e escolhem os que virão. Aqui, houve uma curadoria independente”. Os participantes devem ser divulgados nos próximos dias, mas o que ele contou já atiça a curiosidade e faz pensar que Curitiba vai ficar ainda mais interessante.
Curadoria — A curadoria geral é dos críticos Ticio Escobar, Ministro de Cultura do Paraguai e Leonor Amarante, jornalista e curadora de importantes eventos como a Bienal do Mercosul e a argentina 1ª Bienal do Fim do Mundo. Escobar responde também pela Trienal do Chile e foi curador da Bienal de Valência. Eles tiveram apoio de um Conselho Consultivo, formado por uma turma com experiência, que vai participar também das mesas redondas, a partir de agosto.
De Curitiba, 70 artistas foram convidados a desenvolver obras a partir da temática da Bienal. A seleção final ficou com o crítico espanhol Fernando Castro Flores, para manter a liberdade que os laços de amizade tiram. “Ele teve o apoio de pessoas daqui, mas ficou muito livre”. Alguns escolhidos, a gente já sabe. O Coletivo Interlux não só será um dos representantes curitibanos, como também já colhe frutos do contato com esse pessoal do exterior. Castro Flores, adianta Ernesto, formalizou o convite para eles – que estão entre os que farão intervenções no Passeio Público – para um certame na Espanha como representantes do Brasil. Com já fez curadoria para um Museu de Arte Contemporânea espanhol cuja sede era um presídio, Flores logo fez as conexões quando viu as obras de Juliane Stein, que fotografou as paredes “criadas” pelos presidiáros do Ahú. Elatambém terá um convite. “Acho que nem sabe, pois está em Londres”, conta Pereira. Um representante da Bienal de Quebec ficou igualmente interessado no que viu por aqui e deve escolher dois nomes locais até final de agosto. “São ações concretas que resultam do envolvimento da Bienal de Curitiba, estão nos dando a reciprocidade”, celebra Ernesto
Voltando aos locais que estarão no certame daqui, vamos para Goto, que dará continuidade a um projeto muito legal de intervenção nas passarelas subterrâneas dos terminais de ônibus.Agora ele vai fazer a curadoria de ações no Terminal do Pinheirinho. Também foi convidado para curadoria de um projeto a ser executado por Sergio Moura, com uma equipe de jovens artistas. É uma homenagem a Moura, pioneiro com uma intervenão nos anos 70 na Galeria Julio Moreira, também resgatada por Goto. “A Bienal desenvolve série de intervenções em espaços públicos, mas deixa claro que não está sendo a primeira. Ela reverencia os que já fizeram. É uma homenagem e uma conexão de épocas”, observa.
Haverá ainda uma intervenção em um tubo, próximo da Praça do Japão, por um artista alemão. Interessante também é a proposta de um novo roteiro turístico para cidade, a ser desenvolvido por um espanhol. Ele terá uma jardineira fazendo o roteiro que começa a criar em julho. “Os curadores pensaram muito neste aspecto do planejamento urbano, porque na maioria das cidades isso é um problemão. E tudo isso tem a ver com o tema” deslocamento”.
Temática — “A questão conceitual foi muito discutida e levamos em conta não só o fato do meio ambiente, a escassez de água que se avizinha e as mudanças climáticas, mas também que aqui nasce o Rio Iguaçu que corta todo o Estado, se junta a outros rios. E a cidade, desde o primeiro plano diretor teve essa preocupação de preservar fundos de vales, nascentes de rio”, cita Pereira, lembrando que Iguaçu significa Água Grande em Guarani. Vários espaços serão ocupados e haverá também estudantes de artes estagiando como mediadores da comuniddade, treinados pelos artistas e curadores. Diretamente, serão cerca de 300 pessoas trabalhando. Indiretamente, chega a mil.



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- Publicado em:
- 17.06.09 / 6pm
- Categoria:
- eventos, palestras e debates

















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