
“DESPOJOS DE UM BRANCALEONE” Exposição de pinturas e monotipias de Claudio Boczon

DESPOJOS DE UM BRANCALEONE
Constantemente em uma jornada que transpassa pântanos altruístas, atalhos egoístas, planícies formalizantes, cumes filosóficos e precipícios conceituais, na sua perene e quixotesca busca por um Graal estético – mesmo que seja apenas para sorver uma pequena porção dele – o artista busca saciar sua sede e deixar sua marca no mundo.
Este cavaleiro andante com um caráter algo macunaímico e, por vezes, de triste figura, se outorga o direito de criar, de ser um filtro das emoções, de promover um arrebatamento da realidade empírica e restituir ao mundo sua expressividade, deixando a praticidade ao largo, auferindo significação às obras através de sua exposição.
Mas o tempo confere aos trabalhos que acabam por permanecer em seu ateliê alguns desgastes, sejam eles físicos ou conceituais e, constantemente, este pretenso “criador”, ao olhar a seu redor, considera a necessidade do redesenho de algumas de suas “criaturas” – se não como poética, pelo menos enquanto forma.
E é nesse embate entre o passado (e suas experiências decorrentes) e a realidade diária do ateliê, aonde este acervo que vai se acumulando começa a ter o peso de entulho, que o artista procura, por entre as idéias, as técnicas, as tentativas, os acertos e os erros por ele amealhados, seus despojos.
Porém a física, a química e mesmo a prática de propalados procedimentos artísticos geniais e herméticos não permitem a ele eliminar totalmente a matéria ou transubstanciá-la, mas, no máximo e por meio de uma atitude pictórica, transformá-la e “fazer a luz falar” através dela. Neste ponto, não há releituras, consertos ou apegos sentimentalistas à história de cada obra; os vestígios de sua existência pregressa podem aflorar ou simplesmente sucumbir sob as camadas que lhe são novamente impostas.
Ao fim e ao cabo desta saga, às margens do oceano de homens e de idéias contra o qual este Brancaleone se defronta, avança e começa a soçobrar, ele finda por despojar-se, e sua tábua de salvação é constatar, finalmente, que a obra nunca é apenas um objeto.
Evoé!
Claudio Boczon
Curitiba, maio de 2009
às margens do Rio Água Verde
Onde?
Museu Alfredo Andersen
Rua Mateus Leme 336 – Centro – 80510-190 – Curitiba – Paraná
Telefone/Fax: (41) 3222-8262 – Telefone: (41) 3323-5148
Horário de Visitação: de terça a sexta feira, das 9:00 às 18:00 e aos sábados e domingos das 10 às 16h.



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- Publicado em:
- 28.06.09 / 9pm
- Categoria:
- exposições - curitiba

















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