mais um motivo para ir ao rio? XXX Colóquio do Comitê Brasileiro de História da Arte

XXX Colóquio do Comitê Brasileiro de História da Arte

Arte > Obra > Fluxos

Local: Rio de Janeiro, RJ

Data: 19 a 23 de outubro de 2010

Local do Colóquio

Estamos em contato com a direção do Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, onde deve ser realizado o XXX Colóquio. Há também a possibilidade de realização de uma mesa redonda do Colóquio no Museu Imperial, em Petrópolis, no dia 23 de outubro. Aguardem novas informações.

Inscrições de comunicações até o dia 5 de março de 2010

Já estamos recebendo as primeiras propostas de comunicação. Não se esqueçam de enviar as suas até o dia 5 de março. Lembrem-se de preencher a ficha de submissão de proposta de comunicação, disponível na página do CBHA (www.ppgartes.uerj.br/cbha), indicando a sessão temática na qual desejam apresentar o trabalho. Caberá aos coordenadores das sessões a seleção das comunicações. Maiores informações sobre procedimentos e taxas podem ser encontradas no Edital do Colóquio. No caso de dúvida, escrevam para coloquiocbha@gmail.com.

Sessões Temáticas

Arte e imagem – contextos, migrações, contaminações

Coordenadores

Ana Albani de Carvalho, Alexandre Santos, Tadeu Chiarelli

Ementa

Os estudos acadêmicos sobre a presença da imagem na arte se ampliaram consideravelmente nos últimos anos, tanto em nível internacional quanto nacional. Embora academicamente o campo de estudos sobre a imagem seja bastante amplo, esta mesa propõe discutir a especificidade das relações existentes entre arte e imagem ao longo da História da Arte no Ocidente, sobretudo a partir do advento da reprodutibilidade técnica (fotografia, cinema, vídeo e imagem digital), atentando para quatro questões estruturais que se interligam: a reflexão sobre o papel da imagem nas redes ou circuitos artísticos (institucionais ou alternativos);  a reflexão sobre a imagem como fator que provocou tensões e distensões no sistema de arte; as diferentes linguagens e meios através dos quais a imagem trouxe contribuições à arte, sobretudo no contexto da modernidade e contemporaneidade (novos meios e linguagens); as diferentes territorialidades da imagem na arte (espaço, culturas, sub-culturas, contextos, migrações e devires da imagem, contaminações/afetações entre o binômio arte e vida).

Temas

1. Cultura Visual e História da Arte: dois campos em diálogo;

2. Trânsitos da imagem na arte: da resistência à absorção;

3. O sistema de arte diante dos fluxos da imagem;

4. Imagens migrantes: deslocamento da imagem pelos gêneros artísticos / deslocamento da imagem pelos espaços da visualidade;

5. Dispositivos e modalidades de exposição da imagem;

6. Parâmetros metodológicos e teorias de investigação da imagem na arte;

7. Arte, comunicação e imagem;

8. Territorialidades e politizações da obra de arte através da imagem.

Distensões curatoriais – fluxos e acasos

Coordenadores

Blanca Brites e Elisa de Souza Martinez

Ementa

A realização de projetos curatoriais na atualidade tem sido abordada de modos diversos, que compartilham/partem do princípio de que há uma convergência entre o contexto – conceitual – em que a obra é proposta e a interpretação que é motivada pelo ambiente – físico – expositivo. Embora possa parecer uma questão meramente técnica, cuja finalidade seria agrupar obras em um evento de inabalável coerência discursiva, a prática curatorial tem sido, em algumas situações, comparada à prática artística e apreciada conforme seu grau de originalidade e transgressão. Por outro lado, se o objetivo da curadoria é editar um modo de ver a obra de arte em que a experiência estética possa gerar modos divergentes e imprevisíveis de significação, as premissas conceituais sobre as quais se constroem não devem ser, a priori, consensuais.

Temas

1. Curadoria e contextualização histórica da arte. Polêmicas e divergências nas abordagens de eventos nacionais e internacionais. Linearidade e ruptura nas abordagens curatoriais.

2. Discursos institucionais e discursos curatoriais. A curadoria como ferramenta para a valorização de acervos de instituições museológicas ou a ampliação do circuito comercial de arte. Modificações da relação entre curadoria e conservação de acervo permanente.

3. Diferenças de parâmetros curatoriais para a realização de exposições temporárias em relação aos que são aplicados para as exposições de coleções permanentes.

4. O objeto de arte como sujeito do processo curatorial. As coleções privadas em espaço público de funções didático-museológicas.

5. A curadoria como um mal necessário. Como a curadoria adquire papel de destaque na formação de uma visão prospectiva para a inserção da obra de arte no mercado.

6. Relação entre curadoria e formatos expositivos.

7. O processo curatorial e suas implicações no circuito comercial de arte.

8. Repercussões das relações entre curadoria e conservação de acervo permanente.

Identidades locais na arte colonial brasileira

Coordenadores

Adalgisa Arantes Campos, Luiz Alberto Ribeiro Freire, Márcia Cristina Leão Bonnet

Ementa

A busca de uma identidade nacional para a arte realizada no Brasil Colônia fundamentou-se até o final do século XX na mestiçagem cultural como decorrência da mestiçagem étnica. Estudos recentes apontam para um outro entendimento dessa identidade: não haveria uma identidade única, mas várias, pois cada região, cada localidade, apresenta preferências formais específicas, tendo desenvolvido tradições que reformularam os pressupostos estilísticos propostos, contribuindo com novas interpretações e arranjos compositivos para a história da arte ocidental. Propomos abordar questões inerentes a essas várias identidades e investigar as atuais possibilidades de discussão da noção de brasilidade para a arte sacra católica produzida sob a influência do Concílio de Trento.

Temas

1. Identidades locais x identidade nacional na historiografia da arte colonial brasileira;

2. Os conceitos de hibridismo e mestiçagem e sua utilização na interpretação das obras de arte coloniais brasileiras;

3. Abordagens das produções artísticas locais no Brasil Colônia: estudos de caso e inventários regionais;

4. A geração heróica do IPHAN e sua abordagem da arte colonial brasileira;

5. O restauro como fonte para a história da arte colonial brasileira;

6. O ensino da arte colonial brasileira.

O livro de artista – da modernidade à contemporaneidade

Coordenadores

Maria Lucia Kern, Marília Andrés Ribeiro

Ementa

A sessão tem em vista discutir a importância do livro de artista a partir da arte moderna à contemporaneidade, tanto como objeto de arte, tanto como meio de reflexão e de expressão de ideias teóricas relativas às suas práticas. O livro pode atuar dentro desses dois âmbitos. Como objeto de arte, ele apresenta mecanismos próprios de circulação que caracterizam os diferentes contextos – e fluxos – históricos e geográficos. Esses mecanismos diferem em geral do circuito do livro teórico. Ambos se constituem como veículo de difusão de concepções de arte e permitem a construção de novos conhecimentos por outros artistas, possibilitando a maior dinâmica e enriquecimento do campo de arte. Para os estudiosos, o livro permite confrontar as reflexões e ideias do artista com as suas práticas e a maior compreensão de seu pensamento. A apresentação de estudos de caso e das relativas reflexões teóricas poderá avançar o debate sobre essa área de conhecimento ainda pouco explorada pelos historiadores da arte.

Temas

1. A circulação do livro de artista na modernidade

2. A circulação do livro de artista na contemporaneidade

3. A construção da narrativa nos livros de artista

4. Gestualidade e performance nos livros de artista

5. Reflexões teóricas sobre o livro de artista

6. Livros de artista e edições

Sobre posições – objetos em fluxo, espaços em refluxo

Coordenadores

Marize Malta e Denise Gonçalves

Ementa

A análise das obras e objetos artísticos muitas vezes privilegia um foco único, o do objeto em si. Partimos do princípio de que esse tipo de análise, fundamental como primeira abordagem, nem sempre é suficiente para se entender a complexidade da obra enquanto fenômeno visual, já que obras/objetos estabelecem uma relação de interferência mútua com o espaço que os abrigam a tal ponto que, a partir dela e dependendo das posições que ocupam, são capazes de engendrar espacialidades diversas e, por conseqüência, percepções diversas. Essa relação é facilmente identificável em algumas modalidades das artes visuais mais tradicionais, tais como as artes decorativas em geral – que ‘constroem’ os espaços interiores – ou a escultura monumental urbana – que pontua com marcos visuais o espaço das cidades –, ou ainda, dentro da produção contemporânea, nas instalações e intervenções urbanas em geral que possuem uma intenção espacial evidente, mas pode ser estendida a qualquer situação de exposição das obras/objetos. O que queremos enfatizar é que dentro dessa relação, objeto e espaço são contingentes.

O objetivo da nossa proposição, desse modo, é discutir a relação mútua entre obra/objeto e espaço, ou entre posições, espacialidade e percepção, como constitutiva do fenômeno visual e como fator de abertura a todo um leque de significados. Entendemos que essa discussão pode abarcar os mais diversos aspectos implicados na trajetória de uma obra desde sua concepção, sejam eles da ordem das idéias ou da simples contingência dos deslocamentos físicos e seus desdobramentos em termos de percepção e significado.

Temas

1. Itinerâncias de obras nas diversas escalas espaciais: de exposição privada e pública, da cidade e do território.

2. Novos espaços, novos significados.

3. Obra no mesmo espaço e sentidos itinerantes.

4. Anacronismos espaciais e posições problemáticas.

5. ‘No lugar original’: obras repatriadas, restituídas e o argumento nacionalista.

6. ‘No lugar certo’: a expectativa do pertencimento da obra a um espaço determinado.

A Transferência da Tradição Clássica entre Europa e América Latina

Coordenadores

Claudia Valladão de Mattos, Ana Magalhães , Letícia Squeff

Ementa

Durante muitas décadas as relações entre Europa e o continente latino-americano foram estudadas sob a chave da “influência”, que pressupunha a geração de modelos culturais nos grandes centros europeus e sua absorção (passiva) por parte dos países da chamada “periferia”. A presente sessão temática propõe uma revisão crítica dessa abordagem, através do conceito de “transferência cultural”, termo que foca principalmente nos processos de transformação mútua através de contatos culturais. Do ponto de vista da história da arte, interessa investigar como modelos de produção e significação de imagens foram ressignificados e mesmo transformados em função dos novos contextos em que foram empregados, muitas vezes produzindo soluções formais de alta originalidade. A sessão também visa dar especial ênfase para a circulação e transferência de imagens no contexto latino-americano, contribuindo assim para a superação da idéia de um “isolamento” do Brasil em relação aos demais países da América Latina.

Temas

1. A recepção da historiografia artística européia no Brasil e na América Latina

2. Obras estrangeiras em coleções brasileiras: aspectos do colecionismo brasileiro e latino-americano

3. As relações entre a crítica de arte européia, brasileira e latino-americana

4. A transferência de modelos visuais europeus para a América Latina: transformações e re-significações

5. Relações entre natureza e cultura na Europa e na América Latina

6. Academias de Arte na Europa e na América Latina: um olhar comparativo

7. A presença e circulação da arte Latino-americana na Europa

8. A circulação de artistas europeus no continente latino-americano

Trânsito entre arte e política

Coordenadores

Dária Jaremtchuk, Sheila Cabo Geraldo

Ementa

A idéia da coisa política, como escreve Hannah Arendt, surge na polis grega e não seria inerente ao homem, mas ao entre-homens, que são diferentes e plurais. A política surge, então, no intra-espaço e se estabelece como relação. Baseia-se, assim, na convivência entre diferentes, com a função de organizar e regular o convívio, que é a esfera pública. De acordo com Rosalyn Deutsche, foi Arendt que mais corretamente associou a noção de esfera pública ao que chamou “o espaço da aparição” ou “tornar visível”, abrindo a possibilidade de que as artes visuais pudessem ter algum papel no aprofundamento e extensão dessas relações entre diferentes, papel que alguns artistas, historiadores e críticos contemporâneos estariam desempenhando com vigor.

Assim, propõe-se para essa sessão temática uma reflexão sobre a relação entre a arte e a política envolvendo o debate sobre a escrita da história, da teoria e da crítica de arte, uma vez que a permanência da hegemonia cultural européia e norte-americana, que se instaurou com a constituição da arte e da história da arte como campos de conhecimento, contradiz a própria concepção de coisa política. Nesse debate inclui-se aquele da participação da produção latino-americana de arte no processo que envolve o reconhecimento de dicções locais, assim como de institucionalização global. Considera-se também como tema relativo a esse debate as transformações no conceito de arte, tendo-se como parâmetro as relações de pós-produção, ou seja, aquelas marcadas nos últimos 20 anos pelo capital abstrato, cultural.

Contribui ainda nessa proposta a reflexão sobre a produção dos anos 1960 e 1970, especialmente a identificada pela resistência em arte ao que ficou conhecido como sociedade do controle, do biopoder, ou do espetáculo, assim como a produção artística das duas últimas décadas (1990 e 2000), teorizada também como relacional ou colaborativa, e a retomada das prerrogativas da arte conceitual, sobretudo no debate sobre a inserção no espaço público como uma forma de ação política em arte.

Temas

1. Arte e esfera pública: a política como processo de visibilidade;

2. Fluxos artísticos entre o Brasil e a América Latina;

3. Arte conceitual e conceitualismo: entre os hemisférios norte e sul;

4. Arte e gênero: um debate contemporâneo;

5. A escrita da história: fronteiras e transversalidades;

6. Dicções locais em um contexto global: o caso Brasil;

7. A produção de arte no debate sobre o capital abstrato e o bem comum;

8. Identidades contemporâneas na sociedade global;

9. Trânsitos, deslocamentos e diásporas durante os regimes ditatoriais;

10.  A práxis política nos coletivos artísticos.

Trânsitos entre criação, crítica e história da arte nos séculos XX e XXI

Coordenadores

Maria de Fátima Morethy Couto, Mônica Zielinsky

Ementa

Esta mesa propõe-se a examinar os fluxos existentes entre a atividade artística, o exercício da crítica e a escrita da história da arte, tanto no âmbito brasileiro quanto internacional, em um recorte temporal que se inicia, grosso modo, no início do século XX e chega aos dias atuais. Os atos e processos de criação são aqui compreendidos enquanto ações micropolíticas que podem apontar outros caminhos para a crítica e para a história da arte. Entende-se as noções de dissenso e de alteridade como condições discursivas essenciais para a prática e para a produção de novas leituras do fenômeno artístico. Nesse sentido, interessa-nos analisar a construção e a derrocada de modelos e paradigmas, assim como a criação de mitos e conceitos e suas repercussões no campo da historiografia da arte. Assim, pensa-se estudar a arte em seus diferentes modos de exibição e refletir sobre como os arquivos dos artistas podem vir a estimular interrogações de ordem conceitual, contextual e histórica sobre a arte.

Temas

1. Balanços e trânsitos entre a criação, a crítica e a história da arte moderna e contemporânea;

2. Trânsitos e conformações do exercício da crítica de arte e da prática da história da arte no Brasil e no exterior;

3. A crítica de arte e as condutas artísticas e institucionais;

4. A produção artística e suas esferas de inserção cultural, social e histórica;

5. A arte e a historiografia da arte brasileira e suas articulações no circuito globalizado;

6. Os arquivos e documentos dos artistas e a produção da história da arte.

www.anpap.org.br
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