
29a Bienal de SP + Teatro Arena + CAPACETE = palestras nos dias 10 (quarta) e 11 (quinta) de março
* Organização e mediação: Helmut Batista e Jorge Menna Barreto
no Teatro Arena
Teatro Arena
R. Dr. Teodoro Baíma, 94
às 20 h
Perto do metro república, final da consolação
Anri Sala
é artista nasceu em 1974, em Tirana, na Albânia, estudou em Paris e hoje mora em Berlim. Seu olhar estrangeiro e sua memória ainda próxima do fim do comunismo no país natal, em 1997, norteiam uma produção prioritariamente documental, em vídeo, filme, fotografia e instalação. O nomadismo permite ao artista duas ordens de leitura sobre o mundo: uma aproximada e afetiva e outra desfamiliarizada e objetiva. Quando está longe, viaja mais de dez andares numa grua até chegar com equipe de cinema à intimidade do som de um concerto de saxofone nos ares (Long Sorrow, 2005). Quanto perto, como em Dammi i colori (2003), recolhe-se no intuito de documentar seu antigo professor, agora prefeito de Tirana, numa visita guiada pela versão repaginada da cidade natal. Em ambas sobressai-se o espírito crítico com que Anri Sala comenta a percepção individual, suas interferências e cooperações pela escrita de uma memória comum.
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Jeremy Deller
nasceu em Londres em 1966. Relembrando músicas, promovendo eventos, realizando filmes, entrevistando, reunindo documentos e motivando a participação da comunidade, Jeremy Deller costuma representar contextos culturais de cidades. A identidade coletiva de um lugar -as tradições, os hábitos e as estruturas que o compõem como máquina social- é uma das principais plataformas de trabalho do artista. Em 2009, Jeremy Deller engajou os moradores de Manchester na concepção e na execução de um grande desfile de rua. Ao som de uma banda marcial, desfilaram alas, estandartes e carros alegóricos dedicados a aspectos da vida local, como o gosto por chá e chips; os grupos de rock, de pequenas misses e de colecionadores de carros; as lutas contra o cigarro e o aquecimento global; ou a celebração da herança industrial superada. Denotando o lugar por suas idiossincrasias, a _Procissão_ [Procession], por um lado, motivou protagonismos individuais e, por outro, possibilitou uma perspectiva autoconsciente para a audiência da cidade sobre a cidade.
Jeremy Deller acredita na natureza transformadora da arte e da performance. Nos diagramas narrativos de sua obra, não raro aproxima e associa revoluções estéticas e comportamentais às revoluções nos meios de produção e na conjuntura histórica do tempo em que são propostas, seja por um indivíduo ou por um grupo social. Para o projeto de curadoria _De uma revolução à outra_ [D’une révolution à l’autre], de 2007, o artista e seus colaboradores reuniram trajetórias do século XVIII ao XX que exemplificam essas correspondências, que comprovam como uma atitude artística pode anteceder ou aspirar a mudanças sociais. Adrian Street é uma dessas aspirações, um lutador de luta-livre que transcende a monotonia da industrialização ainda predominante no País de Gales natal e reinventa a si mesmo elaborando fantasias e gestos exuberantes. A história de Adrian Street será retomada em filme inédito para a 29ª Bienal. Na foto do verso, ele é retratado junto ao pai e aos colegas de trabalho dele, em 1973.
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Amilcar Parker
nasceu em Santiago do Chile em 1974 e mudou-se para o Brasil em 1982. É artista-plástico e fotógrafo e se formou em filosofia pela Universidade de São Paulo em 1999. Desenvolve um trabalho no qual essencialmente desloca, subverte e re-contextualiza objetos do cotidiano, como roupas e móveis, arquitetura interna e externa e o corpo humano, em ações, quase sempre realizadas pelo próprio artista, apresentadas em fotografias, vídeos e instalações. Seu trabalho se baseia na idéia do mundo como linguagem, construção e narrativa onde as práticas artísticas apontam para a possibilidade de novas formas de apreensão, de comportamento e de subjetivação, perante as estruturas e interfaces históricas, políticas e sociais que rígidamente se estabelecem para o homem como necessidade e segunda natureza. Em seus trabalhos mais recentes a relação entre o corpo humano e o espaço urbano têm como em “Circuíto”, 2006, no qual o artista dá uma volta completa em um quarteirão de São Paulo, sem tocar na calçada, percorrendo grades e muros de casas e prédios ou, como na série de fotografías “Hífen” 2007/2010, na qual ativa espaços entre viadutos usando o seu corpo e outros objetos.
Amilcar fará uma apresentação na qual discorrerá sobre experiências e percepções do espaço e o fluxo das pessoas nas cidades, considerando questões relativas à arquitetura e ao urbanismo como supra-estruturas de organização e divisão do espaço. Sua fala se centrará, mais especificamente, no recente fenômeno de substituição de grades nos edifícios, por paredes de vidro.
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Anotações sobre a proposta CAPACETE para a 29a Bienal de São Paulo
+ CAPACETE entretenimentos e a Fundação Bienal de São Paulo se aliam para desenvolver projeto associado à 29ª edição da Bienal de São Paulo. Edição que tem como título o verso “Há sempre um copo de mar para um homem navegar”, de autoria do poeta Jorge de Lima, e que está programada para ocorrer, como exposição de obras, entre 21 de setembro e 12 de dezembro de 2010, no Parque Ibirapuera. Esse projeto partilhado, contudo, terá início bem antes disso, e se valerá de estratégias e de lugares que ultrapassam e ampliam o formato e o espaço comumente associados a uma bienal de artes.
+ Como parte integrante do grupo de ações e eventos que dão corpo à 29ª Bienal de São Paulo, CAPACETE propõe ser, já a partir de março de 2010, um “espaço-tempo” de convergência multi-disciplinar a partir do formato “salão de conversas”. Formato que, no século 19, possibilitava que diferentes personalidades e profissionais da alta burguesia trocassem informações de suas diferentes viagens, pesquisas e atividades. Na era do transporte acessível, porém, John Cage transferiu o “salão” da sala de jantar para a cozinha. E hoje o “salão” acontece no mundo virtual da net.
+ CAPACETE parte do princípio que os eventos mais importantes para a produção de sentido acontecem nos “entre-espaços” e “entre-tempos”, apresentando-se de modos flutuantes e instáveis e sendo, portanto, imprevisíveis e incontroláveis. Pode o café da manhã, por exemplo, ser o fórum central de convergências de ideias e de trocas? Ou sempre foi ele, de fato, o nervo central desses encontros e permutas? CAPACETE se ocupa em propor, de modo contínuo e desde os lugares os mais inesperados, trocas não-lineares e não-hierárquicas.
+ CAPACETE passou por diversas fases de reestruturação, questionando a própria função do formato de “residência” dentro do contexto local, adaptando-se às exigências de projetos cada vez mais complexos e inserindo-os em diferentes lógicas e localidades. Para tal, administra duas sedes com diferentes lógicas de funcionamento, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
+ Desde de sua inauguração em 1998, o CAPACETE instiga e apóia as diferentes pesquisas realizadas por seus artistas/curadores/críticos convidados, inserindo-os na lógica do imprevisível. O que interessa ao CAPACETE, e o que o conecta ao projeto curatorial da 29ª Bienal de São Paulo, é esta noção do sistema instável que gera incertezas e, portanto, provoca conexões possíveis, ainda que possam, em princípio, parecer improváveis.
+ Tem como proposta expor e produzir trabalhos conceituais e contextuais inéditos, abrangendo múltiplas estratégias artísticas. Documenta suas atividades e serve como ponto de partida para a auto-representação de um grupo de artistas nacionais e internacionais.
+ É de fundamental interesse representar e possibilitar uma continuidade não somente de linguagem, como servir de plataforma para a construção do próprio histórico do artista, documentando sua produção e trazendo-a ao alcance do público.
+ O agenciamento é seu próprio conteúdo. CAPACETE se propõe a viabilizar e agenciar produções que explodem com a idéia do referencial de uma sede fixa. O interesse é o espaço entre a galeria e a cidade como histórico urbano, em suas múltiplas manifestações.
+ Como organsimo convidado para integrar o corpo de ações da 29ª Bienal de São Paulo, CAPACETE funcionará como uma plataforma discursiva da proposta curatorial, construindo um diálogo vivo com seus participantes.
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Programação na residência São Paulo / Programa 29a Bienal de São Paulo
01/03 – 30/04/2010 – Cristina Ribas (Porto Alegre/Rio de Janeiro)
01/03 – 30/06/2010 – Wouter Osterholt (Holanda)
01/03 – 30/06/2010 – Elke Uitentuis (Holanda)
01/03 – 30/04/2010 – Liz Linden (USA)
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Atualmente em residência no Rio de Janeiro / Programa 29a Bienal de São Paulo
01/03 – 30/04/2010 – Carla Zaccagnini (São Paulo)
01/03 – 30/04/2010 – Sarah Farah (Nova Zelândia/Holanda)
01/03 – 30/04/2010 – Victor Costales (Ecuador/Bela-Rússia)
01/03 – 30/04/2010 – Julia Rometti (França)
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Àpartir de 17/03/10
CAPACETE tem novo site: www.capacete.net



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- Publicado em:
- 09.03.10 / 9am
- Categoria:
- eventos, palestras e debates

















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