<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title> &#187; crítica</title>
	<atom:link href="http://www.paralelocentro.com.br/category/critica/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.paralelocentro.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sat, 17 Jul 2010 13:11:07 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.3</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Carta de Helio Leites, censurado e humilhado num encontro de contadores de histórias no Sesc-Campinas.</title>
		<link>http://www.paralelocentro.com.br/2009/07/14/carta-de-helio-leites-censurado-e-humilhado-num-encontro-de-contadores-de-historias-no-sesc-campinas/</link>
		<comments>http://www.paralelocentro.com.br/2009/07/14/carta-de-helio-leites-censurado-e-humilhado-num-encontro-de-contadores-de-historias-no-sesc-campinas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 17:35:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[crítica]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paralelocentro.com.br/?p=4807</guid>
		<description><![CDATA[De Hélio Leites, ao  Sr. Presidente do Sesc &#8211; SP
Danilo  Santos de Miranda


 
ref.:  &#8220;Sesc Campinas censura contador de histórias&#8221;
   ou  &#8220;a ditadura do Patrocínio&#8221;
   ou  &#8220;Era uma vez outra vez&#8230;&#8221;
   ou  &#8220;Solidariedade não dói.&#8221;
 
  Eu, Hélio Leites, contador de histórias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 10pt;">De Hélio Leites, ao  Sr. Presidente do Sesc</span></strong><strong><span style="font-size: 10pt;"> &#8211; SP</span></strong></p>
<p style="line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 10pt;">Danilo  Santos de Miranda</span></strong></p>
<p style="line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 10pt;"><br />
</span></strong></p>
<p style="line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: 'Times New Roman','serif';"> </span></p>
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal; text-align: right;"><em><span style="font-size: 10pt;">ref.:  &#8220;Sesc Campinas censura contador de histórias&#8221;</span></em></p>
<p style="line-height: normal; text-align: right;"><em><span style="font-size: 10pt;"> <span> </span><span> </span>ou  &#8220;a ditadura do Patrocínio&#8221;</span></em></p>
<p style="line-height: normal; text-align: right;"><em><span style="font-size: 10pt;"> <span> </span><span> </span>ou  &#8220;Era uma vez outra vez&#8230;&#8221;</span></em></p>
<p style="line-height: normal; text-align: right;"><em><span style="font-size: 10pt;"> <span> </span><span> </span>ou  &#8220;Solidariedade não dói.&#8221;</span></em></p>
<p style="line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: 'Times New Roman','serif';"> </span></p>
<p style="line-height: normal;"><span style="font-size: 10pt;"> <span> </span>Eu, Hélio Leites, contador de histórias de Curitiba-Pr, fui censurado no  Sesc Campinas pela segunda vez. A primeira vez ocorreu no ano passado quando fui  convidado a participar do <strong>I Encontro de  Contadores de Histórias</strong> &#8211; organizado pela <strong>Cia Narradores Urbanos</strong> e impedido  de participar do evento, quando me indispus com o funcionário Sérgio &#8220;Conceito&#8221;,  que me proibiu de vender minhas inutilidades artesanais nas dependências do  burgo. A alegação foi que era proibida a comercialização de produtos no interior  do Sesc, quando no entanto, era permitido vender coca-cola na lanchonete. Neste  ano, sem justificativa aparente, tive meu nome censurado pela diretoria cultural  do Sesc Campinas, no dia da abertura, no hall do teatro, apesar de meu nome  constar na programação do evento. Eu lhe pergunto: até quando vai persistir  essa censura? Vim à Campinas este ano porque, quando fui convidado para o  evento, alegaram que o funcionário birrento tinha sido transferido para São  Paulo. Deve, pensei, deve ter recebido uma promoção pelo seu auto desempenho.  Ledo engano, a mágoa ainda lateja, e eu, que acreditava que ela saía na  urina.</span></p>
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 10pt;"> <span> </span>Nem sei se ele foi, mas deixou aqui sua escola, o ranço de sua  intransigência ainda cheira no ar; a intolerância de sua disciplina ainda  reverbera nas portas e guardas, bem como a soberba de sua ditadura ainda pulsa  nos remanescentes, que me censuraram novamente. Impedir um velho de trabalhar no  último ofício que a vida lhe reservou deve ser crime inafiançável moralmente, e  passível, espero, de processo judicial. A humilhação, a decepção e a violência  moral não tem preço. Quando se adquire cabelo branco, vem junto no mesmo pacote,  imunidade para lamentar. Velho não tem vez, nem voz neste país, tanto que  qualquer funcionariozinho com seu cetro de rádio-comunicador sente-se autoridade  para praticar a censura. Se um Sesc desses, verdadeiro templo erigido ao Deus  Comércio, proíbe um pobre artesão de contar histórias num evento coletivo, está  no fundo demonstrando necessidade de reciclagem. Não é só lixo que se recicla,  educação também. Revela ainda total incompetência para gerenciar conflitos,  revela também sua truculência cultural e sua vaidade arrogante e deixa à mostra  a ditadura do patrocínio. Quem paga pode censurar. A censura acabou no Brasil,  menos no Sesc Campinas.</span></p>
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 10pt;">Depois  de viajar sete horas de Curitiba à Campinas, arrastando bagagens e histórias  pelas rodoviárias da vida e ser “barrado no baile” e impedido de comungar  histórias com meus pares, lhe confesso que isso não me engrandece nenhum pouco,  acredite, estou me sentindo um refugo. Uma tristeza profunda me abalou até as  varizes e paira sobre o meu coração velho. O que me consola é uma réstia de  esperança, nuvem que de Campinas vai até o Pilarzinho onde moro. E é essa nuvem  de solidariedade que não me deixa abandonar essa profissão que amo e que o mundo  me reservou. Contar histórias é a profissão mais antiga do mundo e a mais  nova.<span> </span>Quando você não conseguir  fazer nada na vida e nada em sua vida der certo, vá contar a história de seus  fracassos. O povo adora ouvir histórias de fracassos dos outros que é pra não  cometer os seus. Desisti sim, mas foi do Sesc Campinas, não dos outros “Sesquis”  do Brasil, os quais espero que sejam mais dóceis, receptivos e amigos do que o  Sesc Campinas.</span></p>
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 10pt;">Continuo  levantando a bandeira de contador de histórias, com o propósito de juntar  pessoas, falo de amizade, solidariedade, honestidade, auto-estima, terapias  alternativas e vivências de humor, matéria prima tão em falta no mundo  corporativista. Espero que este grito seja jogado no ventilador da internet e  espalhe essa nuvem de esperança pelo ar. Para que nunca mais na história desse  país, um velho precise se humilhar escrevendo um S.O.S. e colocando dentro de  uma garrafa e jogando no mar. Só estou procurando dignidade. Alguém viu alguma  por aí?</span></p>
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 10pt;"> </span></p>
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 10pt;"><span> </span>Saudações</span></p>
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 10pt;"> </span></p>
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 10pt;"><span> </span>Hélio Leites</span></p>
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 10pt;"><span> </span>“Solidariedade não dói”</span></p>
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;">
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 10pt;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</span></p>
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;">
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 10pt;"><strong>Goto:</strong> </span>Manifesto aqui minha solidariedade ao artista/contador de histórias/desanimador de festas/fazedor de inutensílios e fundador da Associação Internacional dos Coleccionadores de Botão, aquele que nos ensinou as grandezas de valor escondidas nas casas de um botão.</p>
<p>Espero que  as câmeras de vigilãncia, a psiquê e juízo dos seguranças e porteiros de museu, as leis de etiqueta e bons costumes, os contratos de direitos autorais, o autoritarismo das autoridades do meio de arte, a reserva de mecado, e qualquer outra invenção de controle e censura deixem de ser parâmetro para a fruição da experiência artística e suas singularidades existenciais de manifestação.</p>
<p>Goto</p>
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;"><a href="http://newtongoto.wordpress.com/" target="_blank">http://newtongoto.wordpress.com</a></p>
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 10pt;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</span></p>
<p>Esse tipo de tratamento precisa ser alardeado, para que não se repita, principalmente quando se trata de um artista  do gabarito e importância do Hélio.</p>
<p>Indignada, assino embaixo.</p>
<p>Um abraço, Katia Horn</p>
<p>(como diz o Hélio, Ghandis coisa!)</p>
<p>www.unidosdobotao.blogpsot.com<br />
www.meuquintal.blogpsot.com<br />
www.katiahorn.blogspot.com</p>
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;">
<p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 10pt;"><br />
</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paralelocentro.com.br/2009/07/14/carta-de-helio-leites-censurado-e-humilhado-num-encontro-de-contadores-de-historias-no-sesc-campinas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sobre a Bienal de Veneza 2009</title>
		<link>http://www.paralelocentro.com.br/2009/07/14/sobre-a-bienal-de-veneza-2009/</link>
		<comments>http://www.paralelocentro.com.br/2009/07/14/sobre-a-bienal-de-veneza-2009/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 17:28:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[crítica]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paralelocentro.com.br/?p=4804</guid>
		<description><![CDATA[      Neide Marcondes            
      ABCA São Paulo 
               Veneza esfuziante, Veneza desordenada, repleta de turistas ávidos para vivenciar  canais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <em>     Neide Marcondes            </p>
<p>      ABCA São Paulo </em></p>
<p>               Veneza esfuziante, Veneza desordenada, repleta de turistas ávidos para vivenciar  canais e vias dessa cidade. Veneza, com sinalização urbana insuficiente, especialmente para os que querem usufruir da Bienal 2009, Biennale: Fare Mondo, exposição internacional de artistas de vários ângulos do planeta, exposição esta sob um título heideggeriano, segundo o Jornal Exibart, giugno 2009. Uma Bienal que denota a crise, a crise internacional; por isso foi sentida a chamada des-globalização, marcante em vários pavilhões da exposição com obras glocalizadas, expressando a cor-local de sua região.</p>
<p>               Após a maratona para a apresentação do crachá -do Giardini para  o Arsenale e do retorno ao Giardini- sem informação convicta, percorrendo quilômetros entre vias e canais, agora à sombra dos plátanos  pode-se fazer a geografia da Bienal. Para alguns galeristas descontentes, uma feira/quermesse de arte</p>
<p>                Gillo Dorfles, historiador, crítico de arte, convidado especial da Bienal, assim se expressou: vi uma Veneza exaltante que renasce a arte, mas la pittura non c’è. A obra pictórica de Miquel Barceló, no entanto, compõe a instalação das salas do pavilhão da Espanha. Barceló apresenta também, em obra recente, vasos, urnas de terracota; pinturas de primatas, paisagens africanas e espumas de ondas do mar expressam o sentido da natureza/criação da vida, elaborado pelo artista espanhol. A pictoriedade também está presente na obra do artista brasileiro Delson Uchoa, em telas coloridas, iluminadas em decalques e colagens com signos e traços, que denotam a regionalidade brasileira. O pavilhão de Veneza exibe a instalação vítrea, colorida em murano, matéria e procedimento local e regional</p>
<p>               As Instalações continuam em evento na geografia de grande parte desta Bienal de 2009. Logo á entrada do Giardini , a instalação Back to Fulness, de 1997 de Chen Zhen.O globo laminado tem convidativo acento que sugere uma volta circular pelo entorno.</p>
<p>                O pavilhão da Bélgica indicia a Bienal da natureza, representando em fotos e pinturas aquareladas, plantas medicinais ,flores e ruas com nomes que denotam o uso destas espécies. Continuamos a maratona; adentrando ao pavilhão Biennale, elásticos, fios formam galactias de variadas dimensões circulares , com teias que ocupam todo o espaço da sala.A fragilidade da obra de Tomás Sarraceno faz com que pessoas se embranhem no espaço,diria, lúdico mas frágil e efêmero.</p>
<p>                Claude Lévêque com seu Le Grand Soir elabora uma prisão ; grades e celas que estabelecem,segundo o autor, a radicalidade da sociedade e da situação anárquica da França. Nas laterais, bandeiras negras esvoaçam em espaço de ventiladores. </p>
<p>                A instalação The Collectors ,dos Países Nórdicos,talvez ,ou melhor com certeza para uma reflexão da arte contemporânea hoje anuncia:  For Sale .logo à frente e no interior da casa/pavilhão com sala , cozinha, biblioteca, estruturas e objetos semi-destruídos e distorcidos lá estão em aparência e forma, anunciando atenção de uma época.Assim também o Col –tempo-II,Projeto de Peter Forgacs,da Hungria examina ,em cena de contestação visível do dramático, em cenario simples, a natureza, o homem, o estranho estrangeiro.</p>
<p>                German Pavilion 2009 , apenas com estruturas de móveis , em cores claras  que designam aparentes lugares de uma casa; a figura de um gato está à espreita,O design estabelece outra função primeira para a arte ?</p>
<p>               Bruce Nauman com Topological Gardens evoca nas salas , figuras/cabeças, mãos  em atitude de apreensão; a terceira sala está uma fonte com cabeças, de cujas  bocas em convulsão, jorra água em nervosidade e dramaticidade de esbanjamento.Tres são os conceitos: cabeças e mãos, som e espaço, fontes em neon nesta paisagem líquida.Atenção: o único pavilhão da Bienal com proibição de registro de fotos!!!</p>
<p>                Em Pop,colorido e mesmo sinestésico,está o pavilhão que seria de descanso e alimentação, assinado por  Jean Cale Live                            .</p>
<p>              Interessante e significativo realçar: o Egito, ainda em sua monumentalidade, apresentou a glocalidade e trabalhou com materiais e processos da sua própria geografia.</p>
<p>                A Biennale ,não do vazio, mas da crise, exibiu conceitos fortes, arraigados na preocupação natureza, na fragilidade e liquidês da arte contemporânea. Sinal dos Tempos! </p>
<p>                                                                                                         Neide Marcondes </p>
<p>Veneza</p>
<p>    primavera 2009</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paralelocentro.com.br/2009/07/14/sobre-a-bienal-de-veneza-2009/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>artur freitas, Obsolescências para o caderno g</title>
		<link>http://www.paralelocentro.com.br/2009/07/06/artur-freitas-obsolescencias-para-o-caderno-g/</link>
		<comments>http://www.paralelocentro.com.br/2009/07/06/artur-freitas-obsolescencias-para-o-caderno-g/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2009 17:58:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[crítica]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paralelocentro.com.br/?p=4703</guid>
		<description><![CDATA[Obsolescências na Casa Andrade Muricy

A obra de arte ou a obsolescência reafirmada &#124; Artur Freitas
Publicado em 05/07/2009 no Caderno G da Gazeta do Povo 
Acabo de ver uma exposição que gostaria de recomendar e comentar. Trata-se da mostra Obsolescências, com curadoria de Marília Panitz, que está em cartaz na Casa Andrade Muricy. A mostra, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1><a href="../2009/06/29/obsolescencias-na-casa-andrade-muricy/">Obsolescências</a> na Casa Andrade Muricy</h1>
<p><a href="http://www.paralelocentro.com.br/2009/06/29/obsolescencias-na-casa-andrade-muricy/" target="_blank"><img src="http://portal.rpc.com.br/midia/tn_620_600_obra_visuais_050709.jpg" alt="" width="502" height="376" /></a></p>
<p><strong>A obra de arte ou a obsolescência reafirmada | Artur Freitas</strong><br />
<em>Publicado em 05/07/2009 no Caderno G da Gazeta do Povo </em></p>
<p>Acabo de ver uma exposição que gostaria de recomendar e comentar. Trata-se da mostra Obsolescências, com curadoria de Marília Panitz, que está em cartaz na Casa Andrade Muricy. A mostra, que integra o programa Rumos do Itaú Cultural, exibe parte do mapeamento da produção artística nacional e apresenta 30 obras de 15 artistas.</p>
<p>Mas comecemos do começo: Obsolescências, antes de tudo, é uma exposição basicamente afirmativa, na exata medida em que afirma, aliás sem pudor, que a experiência da arte depende, em qualquer instância, da experiência perceptiva, fenomenológica e intransferível das próprias obras de arte. Na mostra, em linhas gerais, as obras não são registros ou evocações de eventos externos ou ausentes. Ao contrário: há ali uma evidente confiança na presença de trabalhos que se afirmam justamente no espaço em que são dispostos e percebidos. A proposta tem seus riscos, claro. Afinal, num cenário artístico como o atual, em que a arte muitas vezes se quer mais real que a própria realidade, e que o literalismo das megaexposições beira a hegemonia institucional, pode mesmo parecer estranho que ainda haja quem confie num entendimento de arte-como-obra. Mas é assim, arriscando a obsolescência da própria proposta, que a exposição aposta em trabalhos que via de regra se resolvem numa espacialidade ostensiva e visual. Mas uma espacialidade, note-se, que não remonta a qualquer forma de inteligência da mão.</p>
<p>O artesanato, quando presente nessas obras, é mera operação técnica, que sequer depende do corpo ou do toque do artista. Assim, na maior parte dos casos, as obras presentes em Obsolescências assumem uma condição dupla: remontam a projetos e procedimentos projetuais, mas sem deixar de se afirmar no espaço efetivo da percepção.</p>
<p>Princípios poéticos</p>
<p>Não admira, portanto, que os melhores trabalhos expostos sejam precisamente aqueles que combinem essas duas condições, extraindo daí seus princípios poéticos, como no caso das obras de Diego Belda, Luciano Zanette e Rafael Alonso. Nesses artistas, é o confronto direto e sempre problemático entre arte e design que dá a medida da relação entre os sistemas projetivos e suas ocorrências concretas, efetivas. Em Diego, por exemplo, a mesa e as bolas de sinuca são apenas uma referência rápida, uma espécie de signo do consumo que logo se desmembra num jogo ótico e tátil de superfícies conhecidas. Já em Luciano, a mesa, convertida agora em problema escultórico, atua no limite entre a carga semântica dos objetos, de suas definições, e a forma ideal de suas funções. Ao passo que em Rafael Alonso o confronto se dá entre “funções” especificamente visuais: de um lado, a aparência de um painel de azulejos delicadamente polidos, e de outro, a realidade de chapas de madeira recobertas por elásticos comuns.</p>
<p>Para outros artistas, como Felipe Cohen, Nino Cais e Julia Amaral, a relação com a visualidade massiva e industrial se constrói na oposição mais ou menos direta entre o precário e o luxuoso. Em Cohen, por exemplo, a oposição é franca, mas quase literal demais: são quatro caixas de papelão perecível cujas variações formais abrigam elegantes blocos de basalto negro. Já com Cais, a banalidade dos baldes apropriados ecoa na própria instabilidade da instalação: a idéia é boa, e não deixa de ter algum impacto no procedimento e na ocupação do espaço, embora assuma o risco de se repetir como um truque de circo. Risco semelhante, aliás, corre Julia Amaral, que realiza diminutas esculturas em metal: na verdade delicadas e bizarras jóias que se fundiram a partir de moldes de pequenos animais mortos, como pássaros e aranhas.</p>
<p>Projeções</p>
<p>Quanto aos vídeos, Obsolescências também apresenta obras que em geral extrapolam a função de mero registro ou documentação, reafirmando assim a vocação da mostra em lidar com a espacialização ostensiva de situações projetuais. Afirmativos em relação às especificidades do espaço expositivo, os vídeos de Ana Holck e Letícia Ramos buscam mesmo uma relação de necessidade entre o imageado de suas projeções e a própria arquitetura do museu. Em Ana, o movimento obsessivo de destruição e reconstrução de uma parede é projetado em três paredes reais de uma mesma sala, num efeito trompe l’oeil que só não ocorre plenamente por problemas técnicos, como o baixo contraste das projeções. Letícia Ramos, por sua vez, em oposição à visualidade excessiva das grandes metrópoles, aposta na sutileza de algumas imagens urbanas que, fragmentadas em si mesmas, agora se espalham pelas paredes do museu, mediadas pela intervenção direta de algumas chapas de acrílico.</p>
<p>Num caso como noutro, e como de resto em quase toda a exposição, temos acesso a trabalhos que bem ou mal ecoam um entendimento afirmativo de arte, uma compreensão de arte-como-obra que, passando longe de qualquer forma de curadorismo autoritário, nos impele à presença e à experiência – o que não é pouco.</p>
<p>Artur Freitas é historiador da arte e professor-doutor da Faculdade de Artes do Paraná – arturfreitas@bol.com.br</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paralelocentro.com.br/2009/07/06/artur-freitas-obsolescencias-para-o-caderno-g/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O nome dela é Andreia Lumiére</title>
		<link>http://www.paralelocentro.com.br/2009/07/06/o-nome-dela-e-andreia-lumiere/</link>
		<comments>http://www.paralelocentro.com.br/2009/07/06/o-nome-dela-e-andreia-lumiere/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2009 17:46:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[crítica]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paralelocentro.com.br/2009/07/06/o-nome-dela-e-andreia-lumiere/</guid>
		<description><![CDATA[
Nariz redundante, olhar doce, um pouco gorda, um pouco ausente, diferente-dos-outros-não-sei-por-que e completamente avessa ao seu estar lá.  (lá, na imagem). Andréia e eu nos reconhecemos.
Essa série de imagens foi uma tentativa de registro desse encontro, nem todas estão boas, nem todas estão lá, mas assim é a vida, quase sempre.
Você pode visitar Andreia com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://paralelocentro.com.br/wp-content/uploads/2009/07/andreia%20lumiere.jpg" alt="" width="472" height="427" /></p>
<p>Nariz redundante, olhar doce, um pouco gorda, um pouco ausente, diferente-dos-outros-não-sei-por-que e completamente avessa ao seu estar lá.  (lá, na imagem). Andréia e eu nos reconhecemos.</p>
<p>Essa série de imagens foi uma tentativa de registro desse encontro, nem todas estão boas, nem todas estão lá, mas assim é a vida, quase sempre.</p>
<p>Você pode visitar Andreia com seus própriso olhos e pés, ela está no MON, na Exposição Autocromos Lumiére, Sala 3.</p>
<p>Obs.: não tente fotografar Andreia, eu quase fui presa pelo segurança (sim, eu, com essa camera ameaçadora e essa cara de criminosa).</p>
<div id='gallery'>
<table class="lazyest_thumb_view" summary="thumbs"><tr><td colspan="4"><div class='folder_caption'><h3>andreia</h3></div></td></tr><tr><td><div class='lg_thumb' style=><div class='lg_thumb_image' style='min-height:0px;'><a href='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/lg-gallery/andreia/DSC_0291.jpg' rel='lightbox[andreia/]' title=''><img class='thumb' src='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/plugins/lazyest-gallery/lazyest-img.php?file=andreia%2FDSC_0291.jpg&amp;thumb=1' alt='DSC_0291.jpg' /></a></div></div></td>
<td><div class='lg_thumb' style=><div class='lg_thumb_image' style='min-height:0px;'><a href='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/lg-gallery/andreia/DSC_0292.jpg' rel='lightbox[andreia/]' title=''><img class='thumb' src='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/plugins/lazyest-gallery/lazyest-img.php?file=andreia%2FDSC_0292.jpg&amp;thumb=1' alt='DSC_0292.jpg' /></a></div></div></td>
<td><div class='lg_thumb' style=><div class='lg_thumb_image' style='min-height:0px;'><a href='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/lg-gallery/andreia/DSC_0293.jpg' rel='lightbox[andreia/]' title=''><img class='thumb' src='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/plugins/lazyest-gallery/lazyest-img.php?file=andreia%2FDSC_0293.jpg&amp;thumb=1' alt='DSC_0293.jpg' /></a></div></div></td>
<td><div class='lg_thumb' style=><div class='lg_thumb_image' style='min-height:0px;'><a href='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/lg-gallery/andreia/DSC_0294.jpg' rel='lightbox[andreia/]' title=''><img class='thumb' src='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/plugins/lazyest-gallery/lazyest-img.php?file=andreia%2FDSC_0294.jpg&amp;thumb=1' alt='DSC_0294.jpg' /></a></div></div></td>
</tr><tr><td><div class='lg_thumb' style=><div class='lg_thumb_image' style='min-height:0px;'><a href='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/lg-gallery/andreia/DSC_0295.jpg' rel='lightbox[andreia/]' title=''><img class='thumb' src='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/plugins/lazyest-gallery/lazyest-img.php?file=andreia%2FDSC_0295.jpg&amp;thumb=1' alt='DSC_0295.jpg' /></a></div></div></td>
<td><div class='lg_thumb' style=><div class='lg_thumb_image' style='min-height:0px;'><a href='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/lg-gallery/andreia/DSC_0297.jpg' rel='lightbox[andreia/]' title=''><img class='thumb' src='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/plugins/lazyest-gallery/lazyest-img.php?file=andreia%2FDSC_0297.jpg&amp;thumb=1' alt='DSC_0297.jpg' /></a></div></div></td>
<td><div class='lg_thumb' style=><div class='lg_thumb_image' style='min-height:0px;'><a href='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/lg-gallery/andreia/DSC_0298.jpg' rel='lightbox[andreia/]' title=''><img class='thumb' src='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/plugins/lazyest-gallery/lazyest-img.php?file=andreia%2FDSC_0298.jpg&amp;thumb=1' alt='DSC_0298.jpg' /></a></div></div></td>
<td><div class='lg_thumb' style=><div class='lg_thumb_image' style='min-height:0px;'><a href='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/lg-gallery/andreia/DSC_0299.jpg' rel='lightbox[andreia/]' title=''><img class='thumb' src='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/plugins/lazyest-gallery/lazyest-img.php?file=andreia%2FDSC_0299.jpg&amp;thumb=1' alt='DSC_0299.jpg' /></a></div></div></td>
</tr><tr><td><div class='lg_thumb' style=><div class='lg_thumb_image' style='min-height:0px;'><a href='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/lg-gallery/andreia/DSC_0300.jpg' rel='lightbox[andreia/]' title=''><img class='thumb' src='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/plugins/lazyest-gallery/lazyest-img.php?file=andreia%2FDSC_0300.jpg&amp;thumb=1' alt='DSC_0300.jpg' /></a></div></div></td>
<td><div class='lg_thumb' style=><div class='lg_thumb_image' style='min-height:0px;'><a href='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/lg-gallery/andreia/DSC_0301.jpg' rel='lightbox[andreia/]' title=''><img class='thumb' src='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/plugins/lazyest-gallery/lazyest-img.php?file=andreia%2FDSC_0301.jpg&amp;thumb=1' alt='DSC_0301.jpg' /></a></div></div></td>
<td><div class='lg_thumb' style=><div class='lg_thumb_image' style='min-height:0px;'><a href='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/lg-gallery/andreia/DSC_0302.jpg' rel='lightbox[andreia/]' title=''><img class='thumb' src='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/plugins/lazyest-gallery/lazyest-img.php?file=andreia%2FDSC_0302.jpg&amp;thumb=1' alt='DSC_0302.jpg' /></a></div></div></td>
<td><div class='lg_thumb' style=><div class='lg_thumb_image' style='min-height:0px;'><a href='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/lg-gallery/andreia/DSC_0304.jpg' rel='lightbox[andreia/]' title=''><img class='thumb' src='http://www.paralelocentro.com.br/wp-content/plugins/lazyest-gallery/lazyest-img.php?file=andreia%2FDSC_0304.jpg&amp;thumb=1' alt='DSC_0304.jpg' /></a></div></div></td>
</tr><tr><td></td><td></td><td></td><td></td></tr></table></div>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paralelocentro.com.br/2009/07/06/o-nome-dela-e-andreia-lumiere/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>resposta à enquete: o lugar da crítica de arte</title>
		<link>http://www.paralelocentro.com.br/2009/05/24/enquete-o-lugar-da-critica-de-arte/</link>
		<comments>http://www.paralelocentro.com.br/2009/05/24/enquete-o-lugar-da-critica-de-arte/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 24 May 2009 19:03:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[enquete]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paralelocentro.com.br/?p=3228</guid>
		<description><![CDATA[Recebi hoje um email do Rodrigo Lourenço, de Porto Alegre que dizia assim:
&#8220;Ontem foi o debate sobre as artes visuais&#8230; Gostaria somente de destacar agora algo que me pareceu unânime entre os palestrantes é que o jornal periódico não é o lugar da crítica de arte. Um lugar melhor seria a revista especializada (com um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recebi hoje um email do Rodrigo Lourenço, de Porto Alegre que dizia assim:</p>
<p>&#8220;Ontem foi o debate sobre as artes visuais&#8230; Gostaria somente de destacar agora algo que me pareceu unânime <strong>entre os palestrantes</strong> é que <strong>o jornal periódico não é o lugar da crítica de arte. </strong>Um lugar melhor seria a revista especializada (com um texto mais digerível), mas o reduto certo para a reflexão proposta pelo crítico é a academia. O motivo para essa segregação é a inexistência de um público interessado em arte que não seja do tipo espetacular.&#8221;</p>
Note: There is a poll embedded within this post, please visit the site to participate in this post's poll.
<p>Comentários:</p>
<p>A propósito, para mim o &#8220;lugar da crítica de arte&#8221; é qualquer um, mas também penso que a arte (seja ela qual for) não merece a crítica rasa e sem consistência, com evidentes fins comerciais de aceitação ou de entrave a determinados trabalhos artíticos, como se os críticos fossem os &#8220;porteiros&#8221; que abrem ou que fecham a passagem das obras ao público.</p>
<p>Creio, sinceramente, que as relações entre <em>obra </em>e <em>público inteligentes</em> não precisam da mediação da crítica. Não que a crítica não tenha que existir&#8230; Ao contrário&#8230; A crítica deveria ocupar um <em>lugar de pensamento</em>, e isto não se dá necessariamente nos meios acadêmicos ou midiáticos, de comunicação, mas sim na vida como um todo, no próprio fazer artístico como experiência singular, imprevisível, etc. Gostar ou não gostar de uma obra já é outra conversa&#8230;</p>
<p>No meu ponto de vista, a crítica geralmente constrói o seu olhar em torno de questões técnicas. E o público não está interessado nestas questões e sim na potencialidade da obra para produzir sensações que lhe reportem à vida, que lhe recoloquem de outros modos na própria vida. Sei lá&#8230; Para mim a arte é mesmo uma questão existêncial.  A técnica vem depois.</p>
<p>Fabrício Silva.</p>
<p><em>Fabrício Silva é  filósofo, com mestrado em educação. Sua dissertação é um ensaio sobre os territórios de abertura, de encontro, entre diferentes campos do conhecimento, como a literatura e a filosofia, a ciência, e também uma reflexão sobre minha experiência de escrita do texto e produção do espetáculo &#8220;As estações na cidade: exercício teatral em 4 movimentos&#8221;, do ponto de vista da potência que tem a arte para produzir outros modos de subjetivação que contribuam para a criação de outros olhares na contemporaneidade. </em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paralelocentro.com.br/2009/05/24/enquete-o-lugar-da-critica-de-arte/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
