les jeux sont faits 2008

por nicole lima

Les jeux sont faits, os dados foram lançados. Essa frase é a última de um texto do Ferreira Gullar na Folha Ilustrada de ontem: “Quando digo que a vida não é newtoniana e, sim, quântica, sei que não estou fazendo uma afirmação científica, mas, como poeta que às vezes sou, valho-me de uma metáfora para baratinar a cabecinha do próximo e fazê-lo se dar conta de que, muitas vezes, dois mais dois são cinco.”

Acho engraçado como os textos caem sempre como aquele último pedaço de pizza esquecido na geladeira, bem na hora da fome. Esse ontem me fez pensar muito antes de dormir. Tenho contado com a sabedoria popular na hora de olhar o resultado dos editais de que tenho participado, ainda que quase sempre na categoria “ouvinte”, e ainda acho que a melhor frase é a do Dunga (o técnico, não o anão): “no futebol há sempre dois times em campo: os que ganham e os que justificam” ou ainda a do Nelson Rodrigues: “para um jogador de caráter, uma vaia é um afrodisíaco infalível.”

Ontem mesmo fui olhar no Google e lá estava ele: outro sonoro “não”. Sempre penso que eles deveriam vir acompanhados de algo gentil como “obrigado, volte sempre”, mas não é não, aliás, não é nada: é passar o olho e procurar seu nome várias vezes, pensando que podem ter errado a ordem alfabética, ou que podem ter escrito de trás pra frente, ou em outro idioma, quem sabe? Mas a vida não é lógica, é quântica, né Gullar? O fato é que temos que lidar com isso quase que semanalmente, quando não somos nós, são os amigos, um dia passa, outro não passa, entra no salão de lá e fica de fora no daqui, enfim, você não morre José, você é duro José. E haja Sedex!

Obviamente é sempre mais confortável nos agarrarmos nas desculpas: “a comissão julgadora não teve critério.” Como não teve critério?????????? Mesmo que tenha sido um péssimo critério, certamente houve um. Outra freqüente é: “são sempre os mesmos, eles só lêem os nomes, nem avaliam os projetos” sinceramente, não acredito nisso, posso ser medíocre muito mais vezes do que consigo ser minimamente genial, mas não consigo imaginar que um trabalho forte de verdade vá perder a vez para outro menos interessante. Claro que todo julgamento é subjetivo, que toda subjetividade está presa a certos paradigmas e por aí vamos de mãos dadas, mas tem gente boa e séria julgando esses trabalhos, tem que ter! Afinal, que interesse há justamente na arte para que eles sejam taxados de reacionários? Se existe uma revolução possível ela não está na política, nem na filosofia. É irmão, sobrou pra nós.

Bueno, vou lá chorar na cama que é lugar quente, e viva o bom humor!

Bom dia

Bom dia

Bom dia

(é um mantra, repita quantas vezes for necessário)

Enquanto isso, mais pérolas futebolísticas, afinal futebol também é arte, assim como a culinária e a malandragem:

“A única diferença da Política para o Futebol é que, na Política, por falta de bola, eles se chutam uns aos outros.” Heitor Villa-Lobos

“O difícil, vocês sabem, não é fácil.” Vicente Matheus

“Se macumba ganhasse jogo, o Campeonato Baiano terminava empatado” Neném Prancha

comentários:

Joao Debs, em 17/11/2008: Posso sem algum esforço de simpatia admitir que seus ensaios são suficientemente possiveis, outros não. Mas citar Ferreira Gullar e Dunga decidimente foi pra mim de uma infelicidade dominical. Mas não o culpo em relação ao primeiro, o qual já nutri quanticamente uma admiração. Quanto ao segundo, dúvido da proesa da frase. Mas quanto a você ? Bem, melhor dar um tempo. Isso porque a frase do Nelson Rodrigues o  salvou, ou seja, aqui vai minha vaia: Uuuuuuuuuuuuu!

A míssiva não é pessoal, talvez, um “afrodisíaco” não sei se “infalível”.

Amplexos,

João.

P.S. Ora era, ou orra erra.

Rodrigo Madeira, em 17/11/2008:

algumas outras:

nelson rodrigues: “a pelada mais sórdida tem uma complexidade shakespeareana.”

vicente matheus: “não, o sócrates é invendível, incomprável e imprestável!”

tostão: “é o resultado - sempre - que faz o comentário”

eu: o futebol é tão belo porque pode ser injusto como a vida.

Orlando Tosetto, em 17/11/2008:
Falta humor ao sujeito, claro. Se a vida misturou o Dunga com o futebol, podemos agüentar qualquer coisa. E o Ferreira Gullar, que metido, hein? Citando em francês o que sempre foi bom Latim: alea jacta est.

Terence keller, em 17/11/2008: dadinho é o katzo!

Continuando na política de roubar frases dos outros, eu, desmemoriado, repito a frase de um sujeito que nao lembro o nome, mas o nome nao importa, especialmente se vc for como eu, que esquece nomes… vamos lá:

Na premiação do festival de curtas do Rio, que aconteceu no domingo dia 9/11, um cineasta premiado subiu ao palco e disse algo mais ou menos assim: “eu frequento diversos festivais e em quase todos eles discordo dos filmes premiados, estranhamente hoje estou aqui recebendo o prêmio. Isso me assusta. Então, se você gostou do meu filme, pode me dar os parabéns, mas se gostou que meu filme recebeu o prêmio, parabenize os jurados.”

Daniel Barbosa, em 17/11/2008: dadinho é o katzo!

olá,
minha cara colega, não dá pra ganhar todo dia…
mas o melhor é não poder ganhar sempre!…
eu acho que editais e coisas do gênero são válidos até determinado ponto, que eu ainda não sei qual é! Mas acho que o que está faltando para estes editais  virarem só mais um meio de produzir seja lá o que for, é viver sem eles, os editais.

as instituições são úteis? até que ponto?
expor, ganhar dinheiro pra produzir, viver de buscas no google e não dormir direito até preencher todos os requisitos para ser classificado são alguns meios, mas não os únicos e tão pouco os ultimos!

O negócio é fazer por conta, sem contar com as burrocracias de muitas instituições!!!
bolsa produção, salão paranaense, brde, mecenato e tudo que é coisa do gênero aqui nesta cidade é pra muito estatus - não sei pra quem!-, e pouca reflexão e produção.

Não sou contra estes meios, mas quando quero fazer algo, eu vou lá e faço, pronto! deu-deu, não-deu não-deu!

conheci uns caras lá em SP, que faziam um trabalho super fodão individualmente e coletivamente também, mas que depois que entraram na onda dos editais passaram a só fazer trabalhos para o SESC, a prefeitura y otras cositas mas. Agora continuam os amigos mas mas os trabalhos são sempre com um objetivo artistico, e quando eles dizem artistico, eles não têm medo de falar de grana. de viver de arte ou de princípios e questões éticas.

enfim, um papo meio de boteco, mas, quer fazer, vai lá e faz!

e um grande beijo pra você

Nicole Lima, em 18/11/2008:

oi daniel!
vc sabe que vc tem razao? essa vida atrás dos googles é meio esquisita, ainda mais pra mim, que acredito que pra bom escritor meia página basta.
por outro lado eu tenho aprendido muito com os editais, o legal de escrever projetos é que de alguma forma eles nascem e tomam corpo, aí mesmo quando nao dá em nada, dá em alguma coisa que é justamente o pontapé inicial para eu arregaçar as mangas e colocar a mao na massa.
:)
o texto eu escrevi um pouco por mim, que tive insonia no domingo, outro tanto pelos amigos que ouço reclamar sempre. mas tb porque gosto de colocar as conversas de boteco na mesa, me sinto melhor sendo humana quando estou dividindo minhas humanices com outros.

Paulo Koehler, em 19/11/2008:
No mesmo clima dos “excluídos” do reconhecimento social ao que fazemos, envio este “versinho” do João Cabral de Mello:

” Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre o fazer e o não fazer
mais vale o inútil do fazer…”

quer comentar tb?

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008 - Enquete: o que é arte? 2008

Afinal, arte existe? e se existe, está onde? no objeto, no artista ou no observador? e serve pra quê? Bom, dizem mesmo que devemos tomar cuidado com o que pedimos ao mundo, porque às vezes ele resolve nos atender… Abaixo, algumas respostas que encontramos:

Em 20/07/2008, Luigi De Franceschi:

A arte esta nos olhos de quem vê.
David Lynch uma vez falou que as idéias não são criadas, elas existem e estão ai pairando no mundo. Uma pessoa com sensibilidade as capta e as transforma em algo que os outros vão sentir, ver e experimentar. Essas idéias são vistas e interpretadas pelas pessoas e cada um as classifica de um jeito. Para um arquiteto, o MON é arte, para um fachineiro é só mais um prédio “maluco”. Resumindo: tudo depende de quem vê e da sensibilidade
dessa pessoa. Esse é o grande “barato” da arte.

Francisco Soares , em 13/06/2008:

a problemática não é se a arte existe…

problema…

pró-emblema

pró-arte

pródigo, digo:

PARA QUE SERVE A ARTE:

1-para nos iludir.

2-

3-

4-

6-

Charly, em 13/06/2008:
Talvez para nos aliviar, nos tirar do aqui e agora por um breve momento.

Sergio Moura, em 11/06/2008: Uuma questão intrigante, provocativa, e acima de tudo atiçadora. Não q seja uma indagação consistente, afinal, perguntar hoje se ARTE EXISTE?, depois de tanto q aconteceu e está aí para todos verem…é, no mínimo, uma indagação duvidosa e pouco séria. Posso até aceitar q não se respeite a produção de 400 séculos de atividade criativa, sim, bastando lembrar do princípio logosófico q diz que: ” tudo o que o homem ignora, não existe para ele; logo, o tamanho da criação se resume ao que ele conhece”.

Arte é isso; arte é aquilo; arte é tudo; arte é nada; arte é o amor visível, disse Gibran; antes arte do que tarde, disse Benê Fonteles; tudo é arte e nada é arte, falou Duchamp; enfim, o que é arte? É a estrela que tu vê e eu não vejo!

Eu sei o que a Arte é e onde está, entretanto, como não sou o dono da verdade, deixo a questão para o PAE2008, responder. A “resposta” q não quero deixar de dar, já que eu nunca fico em cima do muro e sempre assumo minha posição e expresso meus pensamentos, crenças, idéias e ideais…, é que: será que podemos imaginar um mundo sem a pintura, o desenho, a arquitetura, a gravura, a dança, o cinema, a fotografia, a escultura, a música, o teatro, enfim sem a imaginação que desenvolve o processo criativo que sustenta a Arte, alimenta o espírito inquieto do ser humano sensível e também dá curso ao desenvolvimento da civilização?

Helena, em 11/06/2008:

sim, arte existe.
e é tudo aquilo que causa uma sensação em nossos espíritos, seja essa boa ou ruim. E não importa se ela está na galeria, na rua, na web, num cartaz…
podem dizer que design não é arte pq tem uma finalidade (isso totalmente aceitável, não sou nenhuma subversiva maluca), mas existe obra mais nobre do que aquela que comove a alma do público e o faz se identificar com ela?

aqui temos um “bordão” rolando: “arte é melhor”. Concordo, mas eu tenho o meu próprio:

“Arte no dos outros é refresco!”
hieaheihaeih

Carla Teodorovicz Assis, em 11/06/2008:

Acredito que o artista é espírito inquieto que faz arte como forma de “aquietar” a alma. Os homens das cavernas deixaram as primeiras marcas deste espírito inquieto. Nós (os artistas) não conseguimos apenas verbalizar estas inquietudes, nós precisamos MATERIALIZA-LAS, às vezes fica uma arte feia, às vezes bonita, não interessa, o que realmente vale aqui é a concretização deste pensamento.

Portanto, ARTE EXISTE SIM e não tem nem cabimento fazer uma pergunta desta.

Helena, o design é tudo de bom!!!!

Nicole Lima, em 03/06/2008:
“Sobre o que é arte, para mim é esse ato de traduzir epifanias e causar afetos. Eu não me basto e não existo só para mim mesma. Acredito até que a arte que eu faço nem sai de mim, são pensamentos que percebo flutuando no ar, e aí eu tento agarrar com as unhas e colar nas paredes. A arte não está em mim, nem no objeto, nem em quem o vê. Mas ela precisa das três coisas para existir. Ela é essa comunhão. Eu não sei bem o que me faz capaz de sentir e pensar certas coisas, mas sei que não é muito comum, porque quase sempre me acham meio esquisita. Enfim, faço porque preciso fazer, porque não veria outro sentido em continuar a existir. Se gostasse de medicina, odontologia, ou tivesse mais fé, acho que não faria, porque quase sempre dói. Mas faço, porque é o que me deixa mais feliz.

Sobre para que a arte serve, eu acho que ela serve pra dizer a verdade. Não as nossas, a verdade pura, essa que se forma nesse espaço entre eu e as coisas e você. Todo o resto é mentira e se desfaz. A arte não se desfaz.”

Deborah Bruel, em 02/06/2008:
“Creio que esta pergunta não tem resposta. No entanto, a tentativa de encontrá-la é o que a faz, pois propõe discussões que vão formar uma rede ou emaranhado de questões pertinentes, coerentes, e também polêmicas ou confusas.Já que encontrar uma resposta única e fixa é tentar reduzir sua significância à temporalidade e imutabilidade, sendo que acredito que tudo aquilo que denominamos arte, o é justamente por escapar à codificações estanques, é arte por ser atemporal, anacrônico, por propor desvios ao pensamento e às percepções.

Mas, por outro lado as obras artísticas, sejam elas, de música de cinema, de artes visuais, etc…, são produzidas por processos específicos às suas linguagens, e estas é que nos permitem a sua percepção, fruição ou “leitura”, como preferem alguns. E estes processos são frutos do conhecimento que o artista engendra, estes são “cosa mentale”, refletem as escolhas do artista, que podem estar num objeto, numa ação ou relação que proponha ao observado/espectador.

Por ora vou parar por aqui, mas a discussão apenas começa….”

Eduardo Baggio, em 27/05/2008:
“arte é a percepção que cada um tem de algo que o faz transcender, “que o pega de
calças curtas”
, que o faz pensar algo que nunca tinha pensado. e isso pode estar no
museu ou no domingão do faustão, não importa. pode ser intencional ou ter sido feito
por um cachorro na rua.”

Murilo, em 26/05/2008:
já me questionei diversas vezes sobre a utilidade da arte, e participei de uma semana de debates sobre esse tema “para que serve a arte?”. Lembro que um dos palestrantes, Décio
Pignatari se não me falha a memória, foi infusivo dizendo que a arte não serve ABSOLUTAMENTE para nada! A arte não torna as pessoas melhores nem piores, nem mais sociáveis ou menos sociáveis. A arte não faz aprender nem desaprender e não desempenha nenhuma função prática. Mas terminou dizendo que alguma coisa misteriosa o faz crer na arte. Sem prova alguma e crendo assim como um cristão crê em deus. Esse comentário assombra meus pensamentos ainda hoje. Será que o que estou tentando fazer durante a minha vida é pura crendice inútil?

Sobre onde está a arte (no objeto, no artista ou no observador) penso que nos três. A arte depende dessas três variantes. Mas acredito que maior parte desse todo está no artista.

Abaixo está um texto que escrevi a mais de 2 anos e meio atrás para um blog. Algumas coisas eu mudaria, mas é o meu ponto de vista quando era 2 anos menos experiente.

Afinal, o que é arte? (Texto do BLOG.)

Num museu de arte contemporânea, um senhor observa, por vários minutos, uma obra que se encontra pendurada na parede. O curador aproxima-se e pergunta:

- O senhor está precisando de algum auxílio?

- Não,obrigado. Estou apenas observando essa obra.

-Qual obra senhor?

- Essa vermelha. O que será que o artista pensava quando decidiu expor esse extintor? Será que ele queria exteriorizar seus sentimentos repreendidos, desejando que algum observador apertasse o gatilho e o libertasse dessa pressão?

- Desculpe senhor, mas esse extintor não faz parte do acervo. Ele encontra-se aí apenas por medidas de segurança.

Uma estória tola como essa serve, pelo menos, para trazer à tona um questionamento: o que faz algo ser uma obra de arte?

Na antiguidade, a arte era dividida em duas grandes vertentes: a servil e a liberal. Na vertente servil encontravam-se as obras que necessitavam, indistintamente, do uso das mãos. E nas artes liberais, nos deparamos com a gramática, à dialética e a retórica. A categoria de obras servis sofria grande discriminação, pois era a arte praticada pelos pobres artesãos. E na época, a arte era sinônima de nobreza. Porém, com o passar do tempo, esse
preconceito caiu por terra com a argumentação de que “a operação manual sempre precede a operação mental”.

Há quem siga a Teoria Essencialista que defende a existência de uma essência na arte, ou seja, existem propriedades essenciais comuns a todas as obras de arte e que só nelas se encontram. Mas, talvez, o único pensamento que possa sustentar, em parte, essa teoria, seja o de Leonardo da Vinci, que diz: “L’arte é cosa mentale!”. Não se pode negar que toda obra de arte é executada pelo viés de “uma coisa mental”. Mas, “essa coisa mental” não é exclusividade da arte.

Sob um outro ponto de vista, podemos deixar as obras de lado e analisar os artistas. Ou seja, deixamos o questionamento “o que é arte?” e nos voltamos para: “quem é o artista?”. Talvez, dessa maneira, seja menos penoso encontrar uma definição para arte. Analisando as intenções que a pessoa teve ao compor determinada obra e o objeto histórico e cultural, conseguimos definir com mais precisão o que é arte e o que não é. Distinguir um rabisco
de criança e uma pintura abstrata, num primeiro momento, não parece ser uma tarefa muito fácil. Num caso como esse, fica mais fácil se analisarmos quem foi o autor da obra, ou do rabisco. Nessa análise o artista é quem dá a obra título de arte, e não a obra por si só.

Outra análise pode ser feita sob a luz da observação da reação dos receptores diante de uma obra. Investigar o que este sentiu ao ver a obra: angústia, prazer, conforto ou se ela foi indiferente aos sentidos. Assim, o conceito de arte torna-se altamente relativo, variando de acordo com o repertório e a bagagem cultural de cada receptor. Mas, se você fizer a
seguinte reflexão “o que faz de algo uma obra de arte?”, a resposta vai custar a aparecer.

Então, o jeito é simplificar e deixar todas essas teorias e regras para trás e montar seu próprio padrão estético. Não tenha medo, deixem os outros fazerem o serviço braçal e torne-se o artista.

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<< voltar para a página inicial (oh jack, take me home)

qual é o disco? 2008

inspirado no nosso ultimo TOP 5, Pedro Gonzalez lembrou do quadro “escola de atenas” de Rafael, e que uma banda de rock famosa nos anos 90 gravou um disco duplo e utilizou para o fundo da capa um detalhe do mesmo.

Ao invés de “qual é a musica” a pergunta é “qual é o disco?”

e a resposta é… thraram:

 

você consegue achar esse moço aí? dica: está do lado direito.

escola-de-atenas.jpg

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Maio de 2008 é o mês do Sketchbook 2008

Recebi esta semana um email do Luciano Sampaio divulgando esta proposta, o site está em inglês então abaixo segue a minha versão tupiniquim resumida para o post. a versão original está em : http://sketchbookmonth.blogspot.com/2008/03/may-2008-is-sketchbook-month.html

Inspirados na proposta “mês de escrever um romance”, na qual os participantes teriam um mês para escrever um livro de 50 mil palavras, o mês do sketchbook é um desafio àqueles que se propuserem a completar um caderno padrão de desenhos (13×21cm) com 100 paginas (50 folhas) em 30 dias. O blog oficial apresenta o desafio sob a forma de concurso, e qualquer um pode participar, sim, até você. basta deixar um email como comentario no blog.

por outro lado isso me deu uma ideia de fazer algo parecido, aqui em cuiritiba, com premio e tudo (quem ganhar ganha outro caderno, em branco, haha)

hein hein? alguém se habilita?

para ver o que o pessoal anda postando: http://sketchbookmonth.blogspot.com/ 

abaixo,  alguns dos meus preferidos:

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enquete: vídeo arte… faça, mas não me faça ver? 2008

No zine 001 levantamos a seguinte questão: Vídeo arte… faça, mas não me faça ver? Quais os limites que o unem ou o separam do cinema? Todas as mostras de arte agora têm agora obrigatoriamente um kit drywall, cortina de veludo e projetor? Novas Possibilidades? Críticas? Sugestões? O que acharam dos vídeos que estavam no MAC, na Andrade Muricy e no Solar (este ainda está)? E na mostra vento sul, alguém foi?

A pergunta é mal educada, preconceituosa, e foi colocada com um alto teor de provocação. Eu poderia ter dito logo o que penso sobre o assunto e levantado outras questões, mas a intenção não era discutir o tema a partir da minha opinião pessoal (e ouvir “concordos” e “discordos”) e sim convidar ao debate, puramente. Por outro lado se eu apenas tivesse perguntado: “oi, o que você pensa sobre videoarte?” Duvido que alguém se comovesse a ponto de responder. Então, escolhi colocar dessa forma tosca, mesmo correndo risco de ser apedrejada, com o intuito de mover alguém e iniciarmos uma discussão séria.

Bom, ainda que eu tenha colecionado desafetos ao longo da semana e talvez perdido o respeito do meu colega de pós graduação para todo o sempre, fiquei muito, MUITO feliz em receber a resposta do Daniel Duda:

Como não me aguento vou me debruçar sobre o assunto mesmo sendo suspeito.

Primeiro, acho que a redação da própria enquete demonstra claramente a opinião de quem a escreveu; portanto, não quero levantar a defesa da videoarte, mas apenas questionar a natureza e o fim dessa enquete, pois talvez esses apontamentos se aplicam igualmente à fotografia e ao próprio cinema, não? Portanto, o que deveria estar em pauta é a reflexão sobre o suporte, que por sua vez carrega a questão da popularização dos meios digitais, que por sua vez, acarreta em… uma grande produção de trabalhos ruins. Em qualquer meio.

Pensei sobre a sentença “videoarte: faça mas não me faça ver” e me perguntei pq a mesma pergunta não poderia ser feita em relação ao cinema? Assim, como penso em vídeo, trabalhando e pesquisando o mesmo, mas também trabalho e vivo com o cinema, acho muito mais grave a proliferação de cine-chatos e da massificação de roteiros rasos que me obrigam a ficar 2 horas na frente da TV, vendo mais do mesmo.

Acredito que se a proposta do artista é colocar seu vídeo dentro do museu, trazendo reflexões que quase sempre são questionamentos advindos de outras formas, principalmente fotografia e pintura, apenas se utilizando do vídeo como suporte, tudo bem! Na minha opinião, a pergunta da enquete foi uma forma extremamente rude e infeliz de levantar a questão. Não entendi e
gostaria que fosse explicado melhor o que significa o “kit” sugerido. Sugere-se que o vídeo é moda? Não agrega entretenimento como o cinema, portanto, é chato?

Agora, se a intenção é entrar no museu buscando entretenimento, informação fácil, ou algo do gênero, sugiro uma das salas de cinema da cidade.

Há artistas que fazem um vídeo dentro de sua obra, e há artistas que trabalham quase unicamente com o vídeo como suporte. A mostra vento sul não deve ser utilizada como parâmetro para discutir o assunto, uma vez que não representa o que está sendo feito em video no Brasil - quem dirá em termos latino-americanos. Foi organizada por pessoas que possuem outros interesses alheios à arte, e não buscam a reflexão séria. O resultado disso foi visto.
Quer dizer, visto por poucos.

Peço desculpas se a intenção da enquete era outra, mas como artista que trabalha com vídeo, fiquei ofendido com a proposta.

Duda

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Nicole Lima, e mais dois centavos:

Bom, agora um passinho à frente por favor, que eu também preciso depositar meus dois centavos e dizer o que penso disso tudo. Aliás, venho pensando nisso já desde a ultima bienal quando escrevi: “Eram mais de 40 vídeos. Não sei se consegui apreciar uma porcentagem digna, mas acho que alguns conceitos persistem: o que não é lixo (lixo mesmo, aquele que a gente separa em casa) reciclado do Duchamp não é arte. O que não é vídeo não é arte. O que é vídeo de lixo, isso sim é arte. Mas há coisas boas. Sempre há”.

E havia: fiquei encantada com um vídeo de uma boliviana, a Narda Alvarado, que se chamava “from the atlantic with love” em que ela entregava um balde de água do mar do oceano atlântico para oficiais da marinha do oceano pacifico, em cerimônia solene. Mas o que mais me intrigou foi que, além do vídeo, ela apresentou uma série de idéias (good ideas, bad ideas, reasonable ideas), algumas eram sugestões de performance e outras de vídeo, em forma de pequenos quadros pintados que ela pendurou na parede assim:narda-alvarado.jpg

O trabalho de Narda me fez ter vontade de ver/fazer as idéias que ela propõe, mas em um segundo momento pensei: pra que? Cairia no que o Duda colocou: entretenimento. E por isso achei genial que ela tivesse “não feito” as próprias idéias. Porque a maioria não ultrapassa a execução da proposta inicial: vamos fazer um vídeo sobre uma mulher comendo uma santa de chocolate? Sim, faça, mas aí eu vou entrar, ficar (talvez) um minuto, sentir náusea e sair. De qualquer forma, parabéns, já acho genial ter sido algo de que eu me lembre até hoje.

De fato, há poucas coisas que realmente sinto vontade de ver até o fim, até por saber que não vai me mostrar nada do que já não tenha ficado claro nos primeiros 30 segundos. Ou será que vai? Mas aí vem outra questão que ontem mesmo o Ricardo Machado levantou: se não tiver nada de bom no começo, nem o curador vai ver até o final. Porque quando a gente vai ao cinema, já se preparou: leu a sinopse, sabe que o filme é uma comedia romântica com o Hugh Grant, gosta do Hugh Grant, escolheu o horário, a companhia, estacionou o carro, pagou e foi ao encontro daquela historia, que vai assistir sentado, comendo pipoca em uma sala escura e com tratamento acústico adequado. Mas se eu faço um vídeo e coloco em uma exposição de arte, eu tenho que pensar o espaço e o espectador de outra forma. Primeiro porque ele não está esperando o que vai encontrar, e isso pode ser usado contra ou a meu favor. Segundo, porque se houver muitas pessoas em volta, fazendo fila pra entrar em um cubiculozinho de drywall com uma tela de plasma e um banquinho, duvido que alguém pare pra ver. E aí entra o tal kit: porque se eu entregar só um DVD, e eles mostrarem como se fosse um quadro na parede, e se eu não pensei nisso, azar o meu (vocês já cronometraram quanto tempo passam diante de um quadro na parede?). O terceiro e último ponto, é justamente em relação ao tempo, que aqui é o tempo do expectador. Um vídeo impõe sobre o expectador um ritmo de leitura: se negligenciado, pode ser rápido demais, ou lento demais, ou longo demais, ou não deixar espaço para pensar. Em inglês há uma expressão que se chama “captive audience” pra designar situações em que temos que ouvir alguém falar sem poder sair. Mas aí, como disse o Felipe Prando, que eu importunei outro dia com esse mesmo pensamento: problema seu, a obra é a obra, lê e vê quem realmente quer. Pode ser, pode ser. Mas agora, já que o Duda veio aqui e falou, mesmo suspeita, também vou falar: O trabalho dele, que está no Solar é um exemplo de como o espaço de projeção foi concebido em conjunto com a produção dos vídeos. Há um percurso, há uma questão e ele me faz caminhar até lá e ouvir tudo até o final (porque “o risco, também é uma ilusão”).

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Duda, em resposta, em 05 de maio de 2008:

Aeeee Nicole

Se eu soubesse que vc ia me publicar eu penteava meu cabelo antes…
Primeiro, é óbvio que nós continuamos amigos. Segundo, de fato se voce colocasse a pergunta de outra maneira meu cérebro nem ia terminar de ler a sentença. Terceiro - e eu devia ter dito isso no primeiro email mas achei que já estava longo e chato demais - é óbvio que eu concordo com quase tudo que voce colocou, até pq eu tambem acho que boa parte do que é feito em video hoje é chato e poderia ser feito de uma maneira menos sacal.Também
acho que quase sempre o visitante não está disposto a despender o tempo que o artista requer para assistir o video até o final, e isso acaba no problema do suporte: será que o artista não deveria ter feito um filme? ou quem sabe apenas tirado uma fotografia (menos é mais, já dizia a Milla…).

Mesmo assim acho que a última coisa que deve ser limitada ou reformada de alguma forma é o processo criativo. Mesmo que o público não dedique o tempo necessário para assimilar a obra, imagino que não será esse fator a determinar que o autor transfigure sua obra para algo mais “palatável”. Enfim, acho que temos as mesmas preocupações, e podemos continuar amigos…

Duda

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Nicole, em resposta, em 05 de maio de 2008:

Oi Duda!
hehehe
ufa
:)

eu já sabia que ia gostar do seu primeiro email, mesmo antes de ler, só por eu ter conseguido fazer com que vc se importasse a ponto de responder. Porque se vc se importa, e eu me importo: pronto.

o seu trabalho realmente me marcou, eu ja tinha comentado isso com você e com varias pessoas, mas nem é só o “gostei ou nao gostei”, é o como vc fez a gente chegar até lá. Vc tem razão quando diz que a maioria das coisas se resolveria com uma unica imagem. (good ideas, bad ideas, reasonable ideas), fora as coisas que nem precisam existir, mas essas a gente deixa pra lá e continua passando batido, como bons cidadãos.

Além disso, tem muita coisa que na minha opiniao está mais pra documentario da obra ou do artista, do que para a obra em si. Acho valido em casos como o Yves Klein — que está morto e não pode refazer a performance dos quadros de fogo, ou das mulheres pincel — mas há outros em que fica meio didático, e se a obra está ali, precisa de um video para explicar? ok, pode ser que precise, entao que incorporem, ao invés de separar. como eu disse: pode ser, pode ser. TUDO pode ser (bom ou ruim, dar certo ou dar errado).

Sobre ser palatável, naaaaaaaao, claro que nao, mas precisa comunicar, e para isso eu preciso acessar o meu interlocutor. se a minha obra é um video e ninguém viu, nao houve comunicaçao, então a minha obra nao existe.

o processo de quem é realmente criativo nunca vai se limitar ao suporte. Talvez se limite ao incentivo $$, mas isso dá pano pra outra enquete…

:)

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TOP 5 2008

Uma das minhas sessões favoritas do ultimo fanzine para o qual escrevi era o TOP 5, inspirada no livro “alta fidelidade” de Nick Hornby.
Fiquei matutando aqui, mas não consegui chegar a um top 5, mas reunimos algumas das ”melhores (e piores) capas de disco inspiradas em obras de arte de todos os tempos”.

votem nas suas favoritas e ajudem a gente a decidir as 5 que vao para a top 5 list na semana que vem:

1) bowowowow e manet

04_bowwowwow.jpg

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2) secos e molhados e caravaggio

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3) funeral for a friend e magritte

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4)  chiodos e van eyck

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 5) crash test dummies e ticiano

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 6) king crimson e iluminuras medievais

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 7) madonna, grateful dead e boticelli:

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 8) nick drake e salvador dali

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 9) king crimson e munch

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10) sargent peppers e disdéri (esse eu desenterrei de 1864!)

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11) soft machine e aubrey beardsley

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12) Gustav Klimt - Birch Forest e The Catherine Wheel - por Storm Thorgenson

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 13) silverchair e mondrian

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Enquete: 2008

vídeo arte… faça, mas não me faça ver?

Quais os limites que o unem ou o separam do cinema? Todas as mostras de arte agora têm agora obrigatoriamente um kit drywall, cortina de veludo e projetor? Novas Possibilidades? Críticas? Sugestões? O que acharam dos vídeos que estavam no MAC, na Andrade Muricy e no Solar (este ainda está)? E na mostra vento sul, alguém foi? Comentários para: contato@paralelocentro.com.br com o assunto ENQUETE no titulo da mensagem.

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Mas o que é um zine? 2008

Para quem chegou agora, mas quer sentar na janelinha, aqui você encontra as respostas para uma serie de perguntas existenciais acerca desta publicação virtual que vos fala:

Mas o que é um zine? Abreviação de zinema francês?

Zine vem de Fanzine. Reza a lenda e o meu amigo Inagaki que os fanzines nasceram junto com os comunistas da USP. Eram aqueles xerocões feitos pelo pessoal engajado da faculdade para divulgar festas e a verborragia da geração perdida. Em uma palavra: Textos. Textos ruins, sem revisão, sem diagramação, sem compromisso, mas principalmente: sem censura. Aqui em Curitiba a gente teve por um bom tempo o nicolau, que era uma delícia de fanzine, impresso em formato de jornal. Mas como tudo um dia acaba, esse também subiu no telhado. Com o advento dessa maravilha que é a internet, os fanzines por e-mail se popularizaram no final dos anos 90 e muitos dos hoje ditos “escritores da nova geração” saíram deles. Aí vieram os blogs, muito mais bonitos e mais fáceis de atualizar, com a (des)vantagem de não ter um editor para (des)aprovar os textos. Eis que então, a maioria dos aspirantes a escritor preferiu ter seu próprio site e aí os fanzines subiram no telhado, parte dois.

Então, por que fazer um zine agora?

Eu escrevi para um fanzine por três anos e tenho um blog, há cinco. Gosto mais do que escrevo hoje, no blog, mas gostava mais da troca que havia no fanzine. Passávamos a semana toda juntando material, pensando no que escrever, trocando textos para que na no domingo, lá pela hora do almoço ele chegasse quentinho na casa de duas mil pessoas. Acho que agora temos mais o que dizer do que tínhamos há dez anos, e podemos dizer melhor. Estou otimista, mesmo sabendo que a hora de subir no telhado, parte três, inevitavelmente chegará para todos nós.

Mas, por que um zine do paralelo?

Justamente por essa troca. Desde que o paralelo foi idealizado enquanto espaço físico ele tinha essa proposta. A idéia é colocar as questões que permeiam nossa própria produção na ordem do dia. O zine será composto de uma mini agenda do que estiver acontecendo/para acontecer no campo das artes visuais + crônicas, críticas, análises, digressões, enquetes, entrevistas, citações e comentários engraçadinhos produzidos por nós e por você, leitor. Sim, você mesmo que está sentado aí do outro lado, e não adianta se esconder atrás do sofá, sabemos onde está. O zine será distribuído por e-mail semanalmente, lá pela hora do fantástico, para começarmos a segunda-feira mais felizes. Em caso de gastura ou importúnio, claro que continua valendo a regra do “REMOVER” ou “ADICIONAR” - caso queira indicar alguém ou outro e-mail no qual prefira receber o zine.

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