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	<title> &#187; ensaios</title>
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		<title>Carta-manifesto Do Coletivo ARTIXX – Arte entre pessoas</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 15:29:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caros colegas, há tempos falamos nisso, mas vale insistir:
publico cá esse gesto do coletivo artixx, não apenas por concordar com o seu conteúdo, mas por acreditar, em toda a minha descrença nas iniciativas públicas ou privadas, que para que isso mude é preciso que nós mudemos, a começar por estabelecer como regra a não aceitação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros colegas, há tempos falamos nisso, mas vale insistir:<br />
publico cá esse gesto do coletivo artixx, não apenas por concordar com o seu conteúdo, mas por acreditar, em toda a minha descrença nas iniciativas públicas ou privadas, que para que isso mude é preciso que nós mudemos, a começar por estabelecer como regra a não aceitação ou participação em projetos que não nos dêem condições dignas de trabalho.</p>
<p>Nicole Lima</p>
<h1>Carta-manifesto aos paranaenses e em especial a categoria dos produtores culturais.</h1>
<p>Do Coletivo ARTIXX – Arte entre pessoas</p>
<p>A quem interessar;</p>
<p>Referente ao Edital de Exposições do Grupo Livrarias Curitiba, previsto para 2010.</p>
<p>“NÃO: isto não é Cultura”</p>
<p>Pierre Bourdieu no livro “A economia das trocas simbólicas” 1 disserta sobre o mercado de obras de arte analisando o sistema de arte, sua formação e evolução histórica concluindo, entre outros detalhes, sobre componentes deste sistema específico que tocou-nos diretamente ao lermos o que foi chamado de “Edital de Exposições 2010 do Grupo Livrarias Curitiba”.</p>
<p>O autor marca um período, o Sec. XIV como início de um processo de “autonomização” do artista que teria produzido, na desejada separação da tutela da Igreja e do Estado, um outro aparato de “validação” da obra de arte com determinados efeitos colaterais. Então, com o desenvolvimento cultural sob novos parâmetros que passaram a incluir uma burguesia que foi se afirmando na história, o sistema de arte, segundo afirma Bourdieu, assumiu características do pensamento e das práticas que se impunham no Ocidente dados no formato em que se construía o processo civilizatório de que somos herdeiros.</p>
<p>Se antes a Igreja e o Estado davam conta de impor critérios de validação da arte, no novo modelo se acrescenta a burguesia e seus instrumentos ideológicos: o mercador, o crítico e a academia. P. Bourdieu afirma ainda que de forma descontínua esta fórmula é a base da “indústria cultural” apontada por Adorno e Horkheimer no século XX!</p>
<p>Foi baseado nesta ordem teórica e no papel de produtores de arte que fizemos, no Coletivo ARTIXX esta avaliação do “Edital de Exposições 2010 do Grupo Livrarias Curitiba”.</p>
<p>O sistema social e econômico coloca a arte e, portanto, o trabalho e a vida do artista, num determinado nível que, por influências iluministas, determina para ela classificações na chamada infra-estrutura numa lógica puramente economicista, ou seja, pragmaticamente excluindo o conteúdo subjetivo que representa a arte livre, colocada abaixo dos valores puramente pragmáticos da organização social dominante, destituídos de transcendências e pobres, por isso mesmo.</p>
<p>É impossível convencer o artista consciente de uma coisa assim, oposta a história da arte e, portanto, aqueles que são cooptados são os que não fazem a reflexão honesta de si mesmos e de seus trabalhos, o que determina o nível ético de uns e de outros.</p>
<p>Considerando que a arte:</p>
<p>“É uma forma universal de expressão e comunicação, que preserva e promove a diversidade e a identidade cultural e espiritual das sociedades, reforçando o sentido de pertencimento à humanidade; é inseparável do ato de viver, e se justifica pelo seu próprio existir, não estando a serviço de qualquer ideologia, nem sendo ferramenta ou instrumento do que quer que seja; contribui para formar comunidades de emoção que nos une pelo afeto; é produto da imaginação criadora e problematizadora do real; tem papel fundamental na religação da sociedade, na reorganização do tecido social desfeito pela mercantilização das relações, pelo individualismo e pela violência; é uma linguagem privilegiada para comunicação entre os jovens; possibilita a vivência criativa, o sonho e a utopia, abrindo uma trilha para o reencantamento do mundo”; 2</p>
<p>O artista que em pleno terceiro milênio ainda permite ver seu trabalho reduzido a uma mercadoria ordinária, aceita ser mero acessório de negócios intermediados a necessidades secundárias, servindo mais a acumulação de poder e de capital que são, sabemos, infortunadamente, cada vez mais a mesma coisa.</p>
<p>Hal Foster, em seu texto “Leituras em resistência cultural” acrescenta à nossa reflexão:</p>
<p>“Embora o governo possa oferecer apoio subsidiado, a arte é, hoje em dia [...] o brinquedo de patrocinadores (de sociedades acionárias) cuja relação com a cultura é menos de uma nobre obrigação do que uma manipulação aberta como signo de poder, prestígio, publicidade. Aparentemente, como Jean Baudrillard sugere, o controle da acumulação não é suficiente para essa classe, ela deve controlar a significação também” e conclui: “o capital penetrou inteiramente no signo”.</p>
<p>O Coletivo ARTIXX tem a dizer sobre o Edital do Grupo Livrarias Curitiba de 2010 que, ao questionarmos sobre os objetivos que levaram o Grupo a se envolver neste tipo de empreendimento artístico cultural, sublinhamos algumas questões que aqui seguem. Partimos do princípio do olhar das Livrarias Curitiba sobre a produção artística local, e questionamos se esta instituição comercial tem algum conhecimento sobre a logística necessária para administrar algo como o que propõe. E perguntamos:</p>
<p>1. 1. Qual é a intenção das Livrarias Curitiba?</p>
<p>Ao não se responsabilizar por nada e apenas se promover às custas de alguns artistas sedentos por um espaço em que possam mostrar suas obras;</p>
<p>2. Qual é o incentivo a que se refere o edital?</p>
<p>Ao não se responsabilizar pela integridade física das obras; não fornecer equipamentos básicos para a montagem e sequer providenciar coisas simples como fita crepe, cola, tesouras que as livrarias, imaginamos, terem de sobra.</p>
<p>O artista é responsável pela montagem e desmontagem; pela divulgação do evento; pelo transporte de ida e volta; pela confecção de um material gráfico que possa registrar o evento; e que além de produzir seu trabalho ainda arca com todos os custos e despesas; enfim, o artista faz praticamente tudo.</p>
<p>3. O que a empresa pensa sobre o profissional de Arte?</p>
<p>A visão que esta tem sobre o artista é antiprofissional, obrigando-o à condição de trabalhar sem honorários! Submete, conforme o edital, o artista como escravo, ampliando aquela visão sombria de que a atividade artística é supérflua e a de que quem oferece um lugar de exposições está fazendo um grande favor. O artista, enfim, não é tratado como um produtor e sequer como trabalhador sério.</p>
<p>4. O que esta empresa, conhecida por comercializar o produto maior dos escritores, oferece aos artistas?</p>
<p>Uma instituição que comercializa produtos culturais e que pretende abrir um espaço cultural deveria, antes, se cercar de conhecimento técnico e das condições essenciais para ter mais respeito com os profissionais envolvidos.</p>
<p>5. O que podemos concluir como artistas?</p>
<p>Quando levantamos estes questionamentos, nos referimos a este edital, sabendo que isto faz coro com a maioria dos editais e de outras iniciativas que vemos pelo país inteiro, ocupando, nem sempre de forma competente, o enorme vazio deixado pela ausência das políticas culturais que o Estado, por pura omissão e descaso gerou perdas irrecuperáveis para essa categoria deixando-nos entregue à própria sorte.</p>
<p>Podemos, baseados na nossa responsabilidade de cidadãos conscientes do trabalho que realizamos e da nossa esperança em um futuro melhor, fazer da intenção deste instrumento de uso e abuso das nossas capacidades, por uma instituição do mercado cultural, redigir este protesto como a única ação possível diante daqueles que não nos vêem com o devido respeito e, pior ainda, aqueles que, por sua indiferença irresponsável, desprezam os que produzem cultura, esta que é sem dúvida o maior patrimônio de uma civilização.</p>
<p>Curitiba, fev. 2010</p>
<p>Carla Assis</p>
<p>Elisete Iunskovski</p>
<p>Giovana Casagrande</p>
<p>Regiane Bressan</p>
<p>Rogério Guiraud</p>
<p>Sergio Moura</p>
<p>www.artixxaoarlivre.blogspot.com</p>
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		<title>ENFIM! e-books do Rizoma.net</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 13:42:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Rizoma.net foi um importante site que abrigou rico acervo de artigos sobre ativismo e intervenção urbana. O site saiu do ar em 2009, mas o pessoal do CCR está organizando todos os textos do site em e-books disponibilizados para download gratuito.
Até o final de janeiro, os e-books das outras seções também estarão disponíveis. Até lá, aproveite [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <strong>Rizoma.net</strong> foi um importante site que abrigou rico acervo de artigos sobre ativismo e intervenção urbana. O site saiu do ar em 2009, mas o pessoal do <a title="Centro de Criação de Ruídos" href="http://www.ccr.art.br/" target="_blank">CCR</a> está organizando todos os textos do site em e-books disponibilizados para download gratuito.</p>
<p>Até o final de janeiro, os e-books das outras seções também estarão disponíveis. Até lá, aproveite bastante o material abaixo, faça download dos PDFs, leia e divulgue.</p>
<p><a style="text-decoration: none;" href="http://en.calameo.com/groups/898/books"><img class="alignnone" src="http://group.calameo.com/898/picture.jpg?091231045333" alt="" width="95" height="92" /><br />
</a></p>
<h2>RIZOMA.NET- Desbunde</h2>
<p><img src="http://i2.calameo.com/091230044701-3e536e15ce852547e9a618b301fdf520/p1.jpg" alt="RIZOMA.NET- Desbunde" /> <a href="http://en.calameo.com/books/000015487334a50b1e17f"><span>RIZOMA.NET- Desbunde</span></a></p>
<div onmouseover="new Tip(this, $('TooltipBook187444').innerHTML, {style: 'book'});" onmouseout="this.prototip.remove();"><span></p>
<h2>RIZOMA.NET- Afrofuturismo</h2>
<p><img src="http://i2.calameo.com/091230040644-dfdd5f96b829304c7fd2b62e7de1f459/p1.jpg" alt="RIZOMA.NET- Afrofuturismo" /> <a href="http://en.calameo.com/books/00001548702f560c1257d"><span>RIZOMA.NET- Afrofuturismo</span></a></p>
<h2>RIZOMA.NET &#8211; Anarquitextura</h2>
<p><img src="http://i2.calameo.com/100101223547-3d52254052b8a38226ab9d73e47f96a5/p1.jpg" alt="RIZOMA.NET - Anarquitextura" /> <a href="http://en.calameo.com/books/00001548727cc22e631b3"><span>RIZOMA.NET &#8211; Anarquitextura</span></a></p>
<h2>RIZOMA.NET- Recombinação</h2>
<p><img src="http://i2.calameo.com/091231051348-ac7511e02abca25c9c68a1213cfa91aa/p1.jpg" alt="RIZOMA.NET- Recombinação" /> <a href="http://en.calameo.com/books/000015487ae7c0a7560a5"><span>RIZOMA.NET- Recombinação</span></a></p>
<h2>RIZOMA.NET- Gibi</h2>
<p><img src="http://i2.calameo.com/091231043522-5ba802b8d2344cc536eb782cfb7ff22e/p1.jpg" alt="RIZOMA.NET- Gibi" /> <a href="http://en.calameo.com/books/000015487ad6aa6dd7768"><span>RIZOMA.NET- Gibi</span></a></p>
<h2>RIZOMA.NET- Hierografia</h2>
<p><img src="http://i2.calameo.com/091231045808-c4a72929e1e327415262aac197aebb94/p1.jpg" alt="RIZOMA.NET- Hierografia" /> <a href="http://en.calameo.com/books/0000154879cf24ad7e28d"><span>RIZOMA.NET- Hierografia</span></a></p>
<h2>RIZOMA.NET- E-spaço</h2>
<p><img src="http://i2.calameo.com/091231042540-49a7926588e5df6a5c666c421157b76f/p1.jpg" alt="RIZOMA.NET- E-spaço" /> <a href="http://en.calameo.com/books/0000154873b214c63e8b7"><span>RIZOMA.NET- E-spaço</span></a></p>
<h2>RIZOMA.NET- Câmera Olho</h2>
<p><img src="http://i2.calameo.com/091230042045-8c7e99f19fdf3ce6a424ce1e82141600/p1.jpg" alt="RIZOMA.NET- Câmera Olho" /> <a href="http://en.calameo.com/books/0000154871626a5ea9405"><span>RIZOMA.NET- Câmera Olho</span></a></p>
<h2>RIZOMA.NET- Potlach</h2>
<p><img src="http://i2.calameo.com/091231050422-85ba9a953e1f4e5ddbe12047d89f8dfa/p1.jpg" alt="RIZOMA.NET- Potlach" /> <a href="http://en.calameo.com/books/000015487fdb1b1a28101"><span>RIZOMA.NET- Potlach</span></a></p>
<p>Outros lugares e formas para vc acessar os textos do Rizoma:<br />
<a title="Rizoma.net" href="http://web.archive.org/web/*sr_81nr_10/http://rizoma.net/interna.php*" target="_blank">Acervo de textos do Rizoma.net no Archive.org</a></p>
<div onmouseover="new Tip(this, $('TooltipBook187444').innerHTML, {style: 'book'});" onmouseout="this.prototip.remove();"><a title="Intervenção Rizoma.net" href="http://web.archive.org/web/20070308234836/www.rizoma.net/secao.php?secao=intervencao" target="_blank">Intervenção Urbana – Rizoma.net (via Archive.org)</a></div>
<div onmouseover="new Tip(this, $('TooltipBook187444').innerHTML, {style: 'book'});" onmouseout="this.prototip.remove();"></div>
<p>fontes: rodrigo lourenço da desvenda:</p>
<p><a href="http://www.desvenda.wordpress.com/" target="_blank">HTTP://WWW.DESVENDA.WORDPRESS.COM</a></p>
<p>e por0:</p>
<p></span><a href="http://poro.redezero.org/" target="_blank">http://poro.redezero.org</a></div>
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		<title>A Grande Feira: a arte contemporânea e o mercado</title>
		<link>http://www.paralelocentro.com.br/2009/11/20/a-grande-feira-a-arte-contemporanea-e-o-mercado/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 14:21:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em A grande feira, o jornalista Luciano Trigo faz uma crítica contundente à subordinação da figura do artista ao sistema mercadológico de arte. O autor apresenta uma reflexão sobre a arte contemporânea e seus principais atores num mundo onde o público cada vez mais é influenciado por outros agentes, que acabam por conferir valores artificiais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em A grande feira, o jornalista Luciano Trigo faz uma crítica contundente à subordinação da figura do artista ao sistema mercadológico de arte. O autor apresenta uma reflexão sobre a arte contemporânea e seus principais atores num mundo onde o público cada vez mais é influenciado por outros agentes, que acabam por conferir valores artificiais à obra de arte.</p>
<p>A década de 70 é o ponto de partida da análise, época apontada pelo autor como o início da crise no mundo da arte, até os dias de hoje. A relação entre os vários personagens que compõem o chamado mercado da arte é estudada pelo autor: o artista, o crítico, o marchand, os colecionadores, as galerias, os museus, entre outros, têm suas funções dissecadas no livro.</p>
<p>Com argumentos sólidos e relevantes, o autor utiliza fatos reais para ilustrar suas opiniões e fomentar o debate pouco realizado no Brasil sobre este sistema, que hoje tem o mercado como norteador. Segundo o jornalista, atualmente, a arte contemporânea é oposta à concebida pelas vanguardas dos anos 70 e a antiga disputa entre “apocalípticos” e “integrados”, narrada por Umberto Eco, acabou com a vitória dos últimos.</p>
<p>O valor atribuído a obras que por muitos não são consideradas arte e por outros são compradas por milhões também é destaque em A grande feira.  “A capa deste livro reproduz a obra The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living, do artista plástico inglês Damien Hirst. Em 2004, o tubarão mergulhado em formol foi vendido por 12 milhões de dólares ao administrador de fundos americano Steve Cohen. Dois anos depois, Cohen recebeu uma má notícia: o tubarão estava se decompondo. O pequeno alvoroço no mundinho da arte foi logo abafado. Artista e colecionador negociaram a substituição do animal original, e não se falou mais do assunto”, conta Luciano Trigo.</p>
<p>O autor utilizou essa imagem como metáfora para revelar uma facção da arte contemporânea que, segundo ele, é frágil e efêmera como um cadáver mergulhado em formol. Para escrever o livro, Luciano Trigo manteve diálogos com professores, teóricos, leigos interessados e, principalmente com artistas. Com A grande feira, ele empreende uma defesa do que chama de verdadeira arte – “aquela que é sempre criadora, subversiva e nova”.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://1.bp.blogspot.com/_KT1mfJSJVII/SvcJtz6AiaI/AAAAAAAAB34/d6aGbs8R-VI/s1600/Luciano.jpg" alt="" width="530" height="800" /></p>
<p>Luciano Trigo é jornalista, escritor, editor de livros, crítico de cinema e colunista do site de notícias G1. Pela Editora Record, o escritor lançou O viajante imóvel e pelo selo Galerinha Record, os infantis Vira Bicho!, As cores do amor e A pequena ditadora, publicado recentemente.A grande feira é um lançamento da Editora Civilização Brasileira (www.record.com.br) e chegou às livrarias no dia 6 de novembro.</p>
<p>A GRANDE FEIRA &#8211; Uma reação ao vale-tudo na arte contemporânea</p>
<p>Luciano Trigo</p>
<p>Editora Civilização Brasileira</p>
<p>240 páginas, R$ 34,90</p>
<p>Fonte: divulgação Luciano Trigo</p>
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		<item>
		<title>A saúde mental e a vida intensamente vivida</title>
		<link>http://www.paralelocentro.com.br/2009/10/06/a-saude-mental-e-a-vida-intensamente-vivida/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 01:56:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[ensaios]]></category>

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		<description><![CDATA[texto de Rubem Alves
&#8220;Fui convidado a fazer uma palestra sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei.
Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico. Comecei o meu pensamento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>texto de Rubem Alves</p>
<p>&#8220;Fui convidado a fazer uma palestra sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei.</p>
<p>Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico. Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se.</p>
<p>Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.</p>
<p>Pensar é uma coisa muito perigosa&#8230; Não, saúde mental elas não tinham&#8230; Eram lúcidas demais para isso.Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata.Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental.Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvir falar de político que tivesse depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.</p>
<p>Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente &#8220;equipamento duro&#8221;, e a outra denomina-se software, &#8220;equipamento macio&#8221;. Hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades &#8220;espirituais&#8221; &#8211; símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes. Nós também temos um hardware e um software.</p>
<p>O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo &#8220;espirituais&#8221;, sendo que o programa mais importante é a linguagem.<br />
Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software.Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam.</p>
<p>Não se conserta um programa com chave de fenda.Porque o software é feito de símbolos e, somente símbolos, podem entrar dentro dele.Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado. Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção!</p>
<p>Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio:<br />
A música que saia de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou&#8230; Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, &#8220;saúde mental&#8221; até o fim dos seus dias.</p>
<p>Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes.<br />
A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música&#8230; Brahms, Mahler, Wagner, Bach são especialmente contra-indicados. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Tranquilize-se há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago?</p>
<p>Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.<br />
Seguindo essa receita você terá uma vida tranqüila, embora banal.<br />
Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Sobre o tempo e a eternidade&#8221; Campinas: Ed. Papirus, 1996.</p>
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		<title>AUSÊNCIA DE CORPOS E IMAGENS</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Jun 2009 22:04:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[+(s)ociedade
Mar adentro
QUE MATERIALIZEM A TRAGÉDIA DO VOO 447 PROVOCA UMA SENSAÇÃO DE VAZIO EXISTENCIAL QUE REMONTA A HOMERO
ALCIR PÉCORA
ESPECIAL PARA A FOLHA
Há um silêncio insistente pegado ao tropel das notícias que acompanham o voo 447 da Air France, desaparecido em meio ao Atlântico, na noite do último domingo. Talvez porque, a rigor, não possam ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>+(s)ociedade</p>
<p>Mar adentro<br />
QUE MATERIALIZEM A TRAGÉDIA DO VOO 447 PROVOCA UMA SENSAÇÃO DE VAZIO EXISTENCIAL QUE REMONTA A HOMERO</p>
<p>ALCIR PÉCORA<br />
ESPECIAL PARA A FOLHA<br />
Há um silêncio insistente pegado ao tropel das notícias que acompanham o voo 447 da Air France, desaparecido em meio ao Atlântico, na noite do último domingo. Talvez porque, a rigor, não possam ser inteiramente notícias, relatos de acontecimentos que se dão a conhecer. Pois há um vazio instalado no lugar da catástrofe. Um vazio residual, um silêncio ineludível entre as vozes e imagens. Vazio de causas do acidente, vazio de comunicação do avião sinistrado, vazio de imagens do desastre; vazio de comunicados terroristas; vazio, por ora, até de paranoia.</p>
<p>A falta de terreno para as notícias salta ainda mais à vista nas galerias de fotos que os jornais tentam montar, com obrigatória criatividade, para dar uma dimensão mais humana, mais factual e discursiva para o desastre. O que mostram são fotografias de aviões semelhantes ao usado no voo 447 (que mais acentuam a consciência de não ser ele o verdadeiro do que a semelhança com ele), de radares modernos em navios, ou de militares com binóculos a perscrutar a presumível cena da queda, sempre com a mesma insuficiência de quem nos mostrasse os olhos em lugar da coisa supostamente avistada.</p>
<p>Marcas da ansiedade<br />
No lugar do acidente, há a proliferação de imagens dos familiares a descer dos ônibus ou a cruzar escoltados os aeroportos do Rio e de Paris, com os olhos cobertos de dor e perplexidade. Mas a própria abundância dessas imagens vicárias marca sobretudo a ansiedade pelas notícias que não vêm, pela insistência da tragédia em não se consumar, de não apresentar justificativas para a sua ocorrência.<br />
Não há muitos objetos capazes de representar vicariamente a extensão cabal do desastre. Há o céu e há, sobretudo, o mar. Mas o mar confunde, indistingue, abstratiza, mais do que evidencia a tragédia.</p>
<p>Assinalam um traçado no mar, mas ele não parece suficiente para expressar o trágico. Mencionam uma cadeira, objetos coloridos, uma parte metálica de alguns metros, mas metros não contam para o mar.<br />
Compreende-se o apego aos objetos partidos para valer como demonstração patética do desastre invisível.<br />
Não era por outro motivo que Aristóteles, na &#8220;Retórica&#8221;, notava a eficácia de exibir camisas ou outros objetos com o sangue das vítimas para tornar presentes aos jurados a violência dos criminosos diante da ausência dos corpos mortos no tribunal.<br />
Mas não há sangue, não há culpados, não há traços humanos especialmente comoventes.<br />
De tudo o que se vê, evidencia-se tão somente o alto-mar. Sua magnificência está mais próxima da metáfora metafísica, seja da morte, seja da fortuna, que dos afetos trágicos. Mais do que piedade e compaixão, o mar exibe a sua própria grandeza.<br />
Por isso, no mar, em busca dos sinais dos mortos do voo 447, mais se encontram os sinais de nossa própria insuficiência. No mar, como no espaço abissal, é difícil sustentar um drama subjetivo individualizado: nele se enxerga melhor a nossa condição comum do que nossa vida particular.<br />
Como suplicar ao seu sem fundo que se apiede, como o vingado coração de Aquiles [na "Ilíada", de Homero] diante das súplicas do pai para restituir o corpo do filho amado?<br />
Que esperança de enternecê-lo e de prantear os corpos dos mortos, para que os façamos parte de nossas cerimônias e os aceitemos então como parte de nossas memórias e, portanto, como experiências que se pode viver, mesmo insuperadas?</p>
<p>Sem catarse<br />
Desse modo, não há tragédia, pois não há relato de ação; não há catarse possível, pois não há erro, nem há vítimas que se dão a ver, assim como nos faltam os despojos sujos, tocantes, de vida interrompida. Tampouco há sublime pós-moderno, pois não há absolutamente o horror do inenarrável: há apenas a narração exígua do que semostra imenso à vista. Os jornalistas, mais ou menos obrigados a recompor uma história dramática, senão uma grande tragédia -não por má intenção ou indiferença, mesmo ao contrário, para dar uma dimensão sensível à dor-, estão cada vez mais na pele do pintor inepto de Horácio, que apenas sabendo pintar árvores, não sabia como fazer para plantá-las na paisagem marítima.<br />
Mas há apenas a dor dos que a sentem, mais nada.</p>
<p>ALCIR PÉCORA é professor de teoria literária na Universidade Estadual de Campinas (SP) e autor de &#8220;Máquina de Gêneros&#8221; (Edusp).</p>
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